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Saúde

Feira tem cerca de 120 mil hipertensos

Lana Mattos - 25 de Maio de 2015 | 14h 38
Feira tem cerca de 120 mil hipertensos
David passou a se cuidar após descobrir hipertensão. Maria José Santana é hipertensa e sofreu um infarto.

Estima-se que há aproximadamente 120 mil pessoas com hipertensão arterial (HA), ou pressão alta, em Feira de Santana, segundo Edval Gomes, presidente da regional feirense da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Uma média de 32,5% dos brasileiros com mais de 18 anos têm a pressão arterial nas alturas, conforme dados da SBC.

O número aumenta com a idade, podendo superar 50% das pessoas com mais de 60 anos. De 6% a 8% dos brasileiros entre sete a 20 anos também têm a doença.

É um dos maiores problemas de saúde pública do país, um dos principais fatores de risco para as doenças cardiovasculares, “principal causa de morte, tanto em nível nacional como em nosso munícipio”, destaca o médico. Só em 2013, Feira teve 2.735 internações por doenças do aparelho circulatório, com 430 mortes e um custo estimado de R$ 5.241.846,06.

As chances de desenvolver a doença, que é mais comum em indivíduos não brancos, começam a aumentar aos 35 anos. Raça e idade não se pode mudar, mas o estilo de vida sim, controlando os fatores de risco, como o sobrepeso, o sedentarismo, dieta rica em sal, tabagismo e ingestão excessiva de álcool.

David Araújo aprendeu a ter “controle da alimentação e manter uma atividade física regular”, fazendo musculação depois que se tornou hipertenso, há quatro anos. Ele estava acima do peso e descobriu o problema através de exame cardiológico de rotina. O aposentado, que faz uso de medicamento para controlar a pressão, afirma que leva uma rotina normal. O ideal, no entanto, é “a adoção de um estilo de vida saudável”, como prevenção da hipertensão, ensina Edval.

Uma doença silenciosa

Na hipertensão, há um aumento na contração das paredes das artérias que fazem o sangue circular pelo corpo, movimento que acaba sobrecarregando diversos órgãos. No entanto, em sua fase inicial, “embora alguns indivíduos relatem dor de cabeça e episódios de tonturas, a doença é considerada assintomática, ou seja, não apresenta manifestações”, podendo ser identificada apenas através da verificação da pressão arterial. “Este é o grande problema!”, alerta o médico.

A pessoa é considerada hipertensa quando sua pressão arterial é igual ou superior a 140/90 mmHg (14 por 9), segundo o Ministério da Saúde. Pessoas saudáveis devem verificar a pressão pelo menos uma vez ao ano. Hipertensas ou portadoras de outras doenças devem ter a frequência recomendada pelo médico.

“Embora, em geral, não tenha cura, existe tratamento efetivo que permite um excelente controle”, declara Edval. “Um adulto jovem com hipertensão leve e sem nenhuma outra doença poderia, inicialmente, ser tratado apenas com dieta e exercícios. Já indivíduos com hipertensão moderada a severa, de mais idade e com outras doenças associadas, devem ser tratados, em geral, pela combinação de dieta, exercícios e medicações apropriadas”, esclarece o cardiologista.

O hipertenso que não se cuida pode desenvolver alterações: nos vasos sanguíneos do coração, que pode evoluir para infarto do miocárdio ou insuficiência cardíaca; no cérebro, que pode causar acidente vascular cerebral (AVC); das pernas, que pode causar úlceras e amputações; nos rins, que causa insuficiência renal; e nos olhos, que leva à lesão da retina.  

Maria José Pereira Santana tem 64 anos de idade e há nove teve um infarto. “Antes de infartar, já tinha mais de cinco anos que eu era hipertensa, que já foi herança da minha família”. A aposentada rural conta que sentia dores de cabeça e peso nos olhos quando descobriu a hipertensão, que passou a controlar com medicação. Mas mesmo assim, ela infartou. Hoje, além de tomar remédio, Maria José faz dieta e caminha dois quilômetros diariamente.



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