O Serviço Social do Hospital Estadual da Criança (HEC), situado em Feira de Santana, registrou, no primeiro semestre de 2021, 335 ocorrências de violência contra crianças
e adolescentes, segundo os registros de atendimento da unidade. O portal de
notícias Acorda Cidade reportou, na manhã desta terça-feira (3), que, deste
total, 219 foram considerados negligência, seguidos de 35 casos de violência
física e 13 ocorrências de violência sexual.
Em 2020, diz a reportagem, os casos de negligência chegaram a
429, sendo 71 de violência física e 22 de violência sexual. Em sua maioria, os
episódios ocorreram com crianças e adolescentes residentes de Feira de Santana.
Em entrevista ao site, a pediatra Roma Catarina, explicou que
durante o período de pandemia, os casos de acidentes domésticos aumentaram expressivamente.
Isto porque, sem aulas presenciais, os menores acabaram passando muito mais tempo
dentro de casa. "Os números de acidentes domésticos com crianças aumentaram,
absurdamente, nesse período de pandemia, porque se eu tenho crianças dentro de
casa, elas se sentem mais ansiosas e os riscos dos acidentes aumentam",
observou.
A médica disse, ainda, que os fatores são variados. "Temos
variáveis tipos de acidentes, como uma criança que caiu e teve um trauma na
cabeça. Ela é encaminhada para o hospital e, ali, passa por um período de
observação, mas isso pode causar sequelas e, até mesmo, o óbito. Mas temos
casos de crianças que ingerem moedas, que tomaram uma queda da cama. E há
outros tipos de fraturas, então, o acidente doméstico vai ser classificado como
qualquer acidente que venha acontecer dentro do ambiente doméstico, em locais
que apresentam riscos para esta criança", explicou.
Roma Catarina salientou que os acidentes domésticos também
variam conforme a faixa etária. "As crianças menores podem sofrer acidentes
pela falta de atenção do cuidador, ou seja, pela negligência. Então, temos exemplos
como: água quente, queda da cama, ingestão de corpo estranho. Estes são os mais
frequentes no ambiente hospitalar. Já as crianças mais velhas sofrem acidentes
provocados pela própria consequência, como querer subir em um muro, em uma
árvore, ou por afogamento em piscina. Estes são os casos mais registrados",
enumerou.
Ainda segundo o Acorda Cidade, a médica enfatizou que os
dados só não são maiores por conta das subnotificações. "A maior parte dos
acidentes são considerados leves, mas os acidentes graves também acontecem. O
problema é que os casos acabam sendo subnotificados, porque, quando a criança
tem um trauma leve dentro de casa, provavelmente, a família não vai querer
levar essa criança para uma emergência. Então, a gente não consegue ter dados
concretos sobre a quantidade de acidentes domésticos relacionados às crianças",
frisou.
A pediatra também alertou sobre as precauções necessárias
para se evitar acidentes. "É importante que os pais tenham 100% de cuidado. Eu
costumo dizer que criança cega, porque o fato de olhar para o lado, quando
voltar, é o tempo suficiente para que a criança já esteja em outro ambiente. É
importante salientar que criança não cuida de outra criança. Ainda que seja um
irmão maior, os perigos existem. Produtos tóxicos devem ficar longe do alcance
dos pequenos, assim como medicamentos. Da mesma forma, e infelizmente, ainda
temos muitos casos de queimaduras. As crianças devem ficar longe do espaço da
cozinha, de piscinas, baldes e banheiras, porque apenas 1 centímetro de água,
já pode ser motivo para um bebê se afogar", alertou.
Ela observou, ainda, que choques elétricos também são
considerados acidentes domésticos. Roma Catarina disse que os pais devem
colocar protetores nas saídas das tomadas. "O ideal é que todas as tomadas
possam ser protegidas, porque as crianças possuem uma curiosidade, elas não
sabem quais são as consequências que aquilo pode trazer. Então, as tomadas
devem estar fora do alcance delas e, principalmente, protegidas", avisou.