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Saúde

Mais de 200 casos de negligência contra crianças foram registrados no 1º semestre de 2021, diz HEC

03 de Novembro de 2021 | 11h 45
Mais de 200 casos de negligência contra crianças foram registrados no 1º semestre de 2021, diz HEC
Foto: Ed Santos/Acorda Cidade | HEC

O Serviço Social do Hospital Estadual da Criança (HEC), situado em Feira de Santana, registrou, no primeiro semestre de 2021, 335 ocorrências de violência contra crianças e adolescentes, segundo os registros de atendimento da unidade. O portal de notícias Acorda Cidade reportou, na manhã desta terça-feira (3), que, deste total, 219 foram considerados negligência, seguidos de 35 casos de violência física e 13 ocorrências de violência sexual.

Em 2020, diz a reportagem, os casos de negligência chegaram a 429, sendo 71 de violência física e 22 de violência sexual. Em sua maioria, os episódios ocorreram com crianças e adolescentes residentes de Feira de Santana.

Em entrevista ao site, a pediatra Roma Catarina, explicou que durante o período de pandemia, os casos de acidentes domésticos aumentaram expressivamente. Isto porque, sem aulas presenciais, os menores acabaram passando muito mais tempo dentro de casa. "Os números de acidentes domésticos com crianças aumentaram, absurdamente, nesse período de pandemia, porque se eu tenho crianças dentro de casa, elas se sentem mais ansiosas e os riscos dos acidentes aumentam", observou.

A médica disse, ainda, que os fatores são variados. "Temos variáveis tipos de acidentes, como uma criança que caiu e teve um trauma na cabeça. Ela é encaminhada para o hospital e, ali, passa por um período de observação, mas isso pode causar sequelas e, até mesmo, o óbito. Mas temos casos de crianças que ingerem moedas, que tomaram uma queda da cama. E há outros tipos de fraturas, então, o acidente doméstico vai ser classificado como qualquer acidente que venha acontecer dentro do ambiente doméstico, em locais que apresentam riscos para esta criança", explicou.

Roma Catarina salientou que os acidentes domésticos também variam conforme a faixa etária. "As crianças menores podem sofrer acidentes pela falta de atenção do cuidador, ou seja, pela negligência. Então, temos exemplos como: água quente, queda da cama, ingestão de corpo estranho. Estes são os mais frequentes no ambiente hospitalar. Já as crianças mais velhas sofrem acidentes provocados pela própria consequência, como querer subir em um muro, em uma árvore, ou por afogamento em piscina. Estes são os casos mais registrados", enumerou.

Ainda segundo o Acorda Cidade, a médica enfatizou que os dados só não são maiores por conta das subnotificações. "A maior parte dos acidentes são considerados leves, mas os acidentes graves também acontecem. O problema é que os casos acabam sendo subnotificados, porque, quando a criança tem um trauma leve dentro de casa, provavelmente, a família não vai querer levar essa criança para uma emergência. Então, a gente não consegue ter dados concretos sobre a quantidade de acidentes domésticos relacionados às crianças", frisou.

A pediatra também alertou sobre as precauções necessárias para se evitar acidentes. "É importante que os pais tenham 100% de cuidado. Eu costumo dizer que criança cega, porque o fato de olhar para o lado, quando voltar, é o tempo suficiente para que a criança já esteja em outro ambiente. É importante salientar que criança não cuida de outra criança. Ainda que seja um irmão maior, os perigos existem. Produtos tóxicos devem ficar longe do alcance dos pequenos, assim como medicamentos. Da mesma forma, e infelizmente, ainda temos muitos casos de queimaduras. As crianças devem ficar longe do espaço da cozinha, de piscinas, baldes e banheiras, porque apenas 1 centímetro de água, já pode ser motivo para um bebê se afogar", alertou.

Ela observou, ainda, que choques elétricos também são considerados acidentes domésticos. Roma Catarina disse que os pais devem colocar protetores nas saídas das tomadas. "O ideal é que todas as tomadas possam ser protegidas, porque as crianças possuem uma curiosidade, elas não sabem quais são as consequências que aquilo pode trazer. Então, as tomadas devem estar fora do alcance delas e, principalmente, protegidas", avisou.



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