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Saúde

Pandemia de Covid-19 diminui, pela metade, transplantes de córnea no Brasil

20 de Março de 2022 | 15h 35
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Pandemia de Covid-19 diminui, pela metade, transplantes de córnea no Brasil
Foto: Divulgação/Governo do Estado do Rio de Janeiro
No Brasil, o transplante de córnea é um dos mais afetados pela pandemia de Covid-19. De acordo com a Agência Brasil, a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) aponta que, em 2020, quando o contágio pelo novo coronavírus chegou ao país, este tipo de cirurgia, praticamente, caiu pela metade. Na ocasião, foram realizados apenas 7,1 mil transplantes de córnea, enquanto, em 2019, o índice de pacientes beneficiados com a técnica alcançou a marca de 14,9 mil.

Em 2021, segundo a entidade, o procedimento continuou 16% abaixo da pré-pandemia, com 12,7 mil brasileiros transplantados. Com o número de captações e transplantes em queda, a instituição diz que a fila de espera cresceu 80%. No final de 2019, 10,7 mil pessoas estavam inscritas. Já em dezembro de 2021, o quantitativo de pacientes avançou para 18,8 mil.

Após três anos à espera de uma córnea, a professora Tatiana Lima, de 42 anos, enfatiza que a fila costuma andar mais rápido. No entanto, conforme observa, a pandemia desacelerou o ritmo de cirurgias. Ela conta que já fez todos os exames pré-operatórios exigidos pelo médico e que pode ser chamada, a qualquer momento, para realizar o transplante em um dos olhos, na cidade de Brasília. “Este será meu segundo transplante. O primeiro, nos dois olhos, foi feito há 30 anos, em Goiânia, quando eu ainda era adolescente. Com o passar dos anos, minha visão esquerda foi piorando. Por causa do ceratocone, uma das córneas voltou a ficar fina e, por isso, o novo transplante”, explicou.

Localizado na parte frontal do olho, a córnea é um tecido transparente que funciona como a primeira lente de uma câmera fotográfica, por onde a luz penetra. A sua posição e função, portanto, exigem que ela esteja totalmente transparente, a fim de que a luz atravesse todo o olho e alcance a parte posterior, onde a imagem é decodificada.

Sendo assim, uma córnea acometida por uma doença como o ceratocone ou por outras enfermidades congênitas, distrofias e cicatrizes pós-trauma perde a transparência, prejudicando a visão. A indicação de transplante, geralmente, vem após esgotadas todas as alternativas de tratamento e reabilitação.

Doação Conforme os especialistas, o procedimento de retirada da córnea para doação é simples e depende da autorização da família. Por isso, é importante manifestar, aos parentes próximos, o desejo de vir a ser um doador. A captação da córnea doadora é realizada em poucas horas após a morte do paciente e fica imperceptível para família do doador.

Quem não pode doar Pessoas que tiveram linfomas ativos e leucemias, hepatites B e/ou C, HIV (AIDS), infecção generalizada, endocardite bacteriana, raiva ou algumas doenças em atividade, como sífilis ativa e leptospirose, não podem doar suas córneas. Já pessoas que realizaram cirurgias oculares ou portadores de miopia, hipermetropia e astigmatismo não ficam impedidos de doar.



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