Em 2021, segundo a entidade, o procedimento continuou 16%
abaixo da pré-pandemia, com 12,7 mil brasileiros transplantados. Com o número
de captações e transplantes em queda, a instituição diz que a fila de espera cresceu
80%. No final de 2019, 10,7 mil pessoas estavam inscritas. Já em dezembro de
2021, o quantitativo de pacientes avançou para 18,8 mil.
Após três anos à espera de uma córnea, a professora Tatiana
Lima, de 42 anos, enfatiza que a fila costuma andar mais rápido. No entanto, conforme
observa, a pandemia desacelerou o ritmo de cirurgias. Ela conta que já fez
todos os exames pré-operatórios exigidos pelo médico e que pode ser chamada, a
qualquer momento, para realizar o transplante em um dos olhos, na cidade de
Brasília. “Este será meu segundo transplante. O primeiro, nos dois olhos, foi
feito há 30 anos, em Goiânia, quando eu ainda era adolescente. Com o passar dos
anos, minha visão esquerda foi piorando. Por causa do ceratocone, uma das
córneas voltou a ficar fina e, por isso, o novo transplante”, explicou.
Localizado na parte frontal do olho, a córnea é um tecido
transparente que funciona como a primeira lente de uma câmera fotográfica, por
onde a luz penetra. A sua posição e função, portanto, exigem que ela esteja
totalmente transparente, a fim de que a luz atravesse todo o olho e alcance a parte
posterior, onde a imagem é decodificada.
Sendo assim, uma córnea acometida por uma doença como o ceratocone
ou por outras enfermidades congênitas, distrofias e cicatrizes pós-trauma perde
a transparência, prejudicando a visão. A indicação de transplante, geralmente,
vem após esgotadas todas as alternativas de tratamento e reabilitação.
Doação – Conforme os
especialistas, o procedimento de retirada da córnea para doação é simples e depende
da autorização da família. Por isso, é importante manifestar, aos parentes
próximos, o desejo de vir a ser um doador. A captação da córnea doadora é realizada
em poucas horas após a morte do paciente e fica imperceptível para família do
doador.
Quem
não pode doar – Pessoas que tiveram linfomas ativos e leucemias,
hepatites B e/ou C, HIV (AIDS), infecção generalizada, endocardite bacteriana,
raiva ou algumas doenças em atividade, como sífilis ativa e leptospirose, não
podem doar suas córneas. Já pessoas que realizaram cirurgias oculares ou
portadores de miopia, hipermetropia e astigmatismo não ficam impedidos de doar.