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Economia

Gabriel Galípolo assina manifesto internacional pela independência dos Bancos Centrais

13 de Janeiro de 2026 | 16h 38
Gabriel Galípolo assina manifesto internacional pela independência dos Bancos Centrais
Foto: Lula Marques/Agência Brasil

O presidente do Banco Central do Brasil (BCB), Gabriel Galípolo, assinou nesta terça-feira (13), um manifesto internacional que prima pela defesa da independência das autoridades monetárias. O documento também foi elaborado em apoio a Jerome Powell, presidente do Banco Central dos Estados Unidos da América (EUA), o chamado Federal Reserve (FED).

A iniciativa ocorre em meio à ofensiva do presidente Donald Trump, que pressiona, cada vez mais, a autoridade monetária dos Estados Unidos, com o intuito de conseguir uma redução mais acelerada das taxas de juros no país.

De acordo com Gabriel Galípolo, a declaração conjunta “reafirma a autonomia técnica das instituições como pilar central da estabilidade econômica global”, sobretudo, em um momento de crescentes tensões envolvendo decisões de política monetária, tanto no exterior quanto no Brasil.

Autonomia monetária – No manifesto, presidentes de bancos centrais destacam que a independência institucional é “fundamental para assegurar a estabilidade de preços e o bem-estar dos cidadãos”, sempre com respeito ao Estado de Direito, à transparência e à responsabilidade democrática.

Os signatários do manifesto afirmam que eles estão “em total solidariedade com o Sistema do Federal Reserve e seu presidente, Jerome H. Powell”. Também sustentam que Powell vem atuando “com integridade, compromisso com o interesse público e foco em seu mandato”.

Ao aderir ao movimento, Galípolo posiciona o Brasil ao lado de instituições como o Banco Central Europeu, o Banco da Inglaterra e o Banco de Compensações Internacionais (BIS), órgão com sede na Suíça e que funciona como o Banco Central dos bancos centrais.

Também assinaram o documento, autoridades monetárias do Canadá, Suécia, Dinamarca, Suíça, Austrália e Coreia do Sul.

Pressão política – O apoio internacional veio após Powell revelar que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos notificou o FED, com intimações de um grande júri, no âmbito de uma investigação relacionada à reforma de prédios históricos da instituição, em Washington, capital do país

 O presidente do FED afirmou que a apuração vem sendo usada como instrumento de pressão política. “Tenho profundo respeito pelo Estado de Direito e pela responsabilização em nossa democracia. Ninguém está acima da lei”, disse, ressaltando que “essa ação sem precedentes deve ser vista no contexto mais amplo das ameaças e da pressão contínua do governo”.

O mandato de Powell termina no próximo mês de maio. Trump vem criticando publicamente o FED, por manter os juros em patamar elevado. O presidente dos Estados Unidos defende cortes mais rápidos, apesar de a inflação norte-americana ter encerrado 2025 acima da meta oficial.

A divulgação do manifesto também ocorre em um momento sensível para o Banco Central brasileiro. Nos últimos dias, a liquidação do Banco Master e questionamentos no Tribunal de Contas da União (TCU) reacenderam debates sobre a autonomia da autoridade monetária no país.

Na segunda-feira (12), Galípolo se reuniu com o presidente do TCU, Vital do Rêgo, para discutir a questão. Integrantes do mercado financeiro avaliam que a defesa pública da independência dos bancos centrais busca reforçar a confiança na condução técnica da política monetária, em um cenário global de maior volatilidade e incerteza.

 

 

 

 

 

 

 

*Com informações da Agência Brasil



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