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César Oliveira

Lagoa Salgada: uma década de promessas submersas

César Oliveira - 23 de Março de 2026 | 11h 05
Lagoa Salgada: uma década de promessas submersas
Prefeito José Ronaldo e Secretário de Planejamento, Carlos Brito, entre outros, apresentam projeto da Lagoa Salgada, no mandato passado Foto: Acorda Cidade

A luta pela criação do Parque da Lagoa Salgada em Feira de Santana transformou-se em um inventário de frustrações e omissões. Enquanto a especulação imobiliária avança sobre as margens do manancial, o Código Florestal Brasileiro (Lei 12.651/2012) — que impõe faixas de proteção entre 30 e 500 metros — é sistematicamente ignorado. A tática de degradação é clara: o soterramento silencioso de nascentes, algumas delas reabertas pelo ex-secretário de Meio Ambiente, Sergio Carneiro, com quem conversamos.  O crime ambiental ocorre sem o devido enfrentamento das diversas autoridades ambientais e sugere que a paralisia pública não é por falta de recursos, mas pela dificuldade política em confrontar supostos proprietários de uma Área de Preservação Permanente (APP). A cronologia do retardo é extensa e marcada por visitas midiáticas que nunca se converteram em canteiros de obras.

Em 2016, o então deputado estadual e líder do governo  Zé Neto, o secretário de Meio Ambiente, Eugênio Spengler,  vereador Beldes Ramos (PT),  o coordenador do INEMA, Messias Gonzaga, reuniram-se para tratar sobre a revitalização da Lagoa Salgada. Um conjunto de pessoas- do qual fiz parte, junto com Frei Monteiro- estiveram visitando a lagoa.  

Em 2017, o prefeito José Ronaldo apresentou uma proposta ambiciosa, ocupando 100.000 metros,  assinada pelo arquiteto Claudio Rôsevel, afirmando que o parque “seria interligado por pequenas ilhas cobertas de arbustos, intercaladas e ornamentadas por três chafarizes emergindo das águas”. O feirense não ficou a ver chafarizes, apenas navios.

Em 2020, o ciclo de promessas foi renovado pelo prefeito Colbert Martins, que anunciou um investimento de R$ 3 milhões para cercamento de uma área de 3km,  drenagem e lazer,  plantio de árvores da mata ciliar. A intervenção pública do governo ia “ possibilitar uma nova opção de lazer onde existe a melhor visão de pôr do sol da cidade”. A intervenção nas margens da lagoa  começou a ser realizada, mas os tratores deram duas voltas sobre si mesmo e foram embora, por razões nunca explicadas. 

Em 2024, o Parque da Lagoa Salgada voltou à campanha do atual prefeito ( https://www.instagram.com/reel/C_30r2gSTfQ/ ), mas ainda sem concretização após a posse.

Em 2026,  na Câmara, o prefeito anunciou que havia algumas dificuldades ( não reveladas), mas a obra estava prestes a ser anunciada. Nós conversamos com o Secretário Carlos Brito, do Planejamento, que confirmou faltar apenas um acordo, mas que sairia em breve.

Não é difícil imaginar o que tem retardado essa obra essencial da cidade. Imagina-se que  proprietários- e a saliva das construtoras- criem dificuldades, mas o poder público tem o dever imperativo de proteger o cidadão e o Ministério Público, por dever constitucional, apoiar o que for necessário.

O parque é de profundo interesse público- drenagem de águas, resfriamento da temperatura, lazer, esporte, saúde-  e não pode mais ser empurrado para diante. Não é aceitável  que forças externas retardem por mais de 10 anos a realização dessa obra, recordista de promessas. O feirense merece ter direito a, enfim, contemplar “ a melhor visão de pôr do sol da cidade”.

 



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