O ambiente na Câmara Municipal de Feira de Santana parece
ter encontrado, finalmente, um novo fôlego. Após um longo período marcado por
desgastes éticos e notícias desanimadoras, a atual presidência tem imprimido um
ritmo de maior pudor institucional e funcionalidade, permitindo que projetos de
real relevância social ganhem os holofotes. É dentro dessa temporada mais
proativa que surgem as iniciativas do vereador Silvio Dias — a quem conheço
apenas pelo exercício do cargo, ressalte-se — com um sopro de lucidez ao debate
público. Propostas como a garantia de que crianças neurodivergentes levem seu
próprio alimento às escolas, a ampliação do acesso à equoterapia e a
normatização da relação entre cemitérios e familiares não são meras
burocracias, mas medidas que melhoram o cotidiano do cidadão.
Contudo, é na reabertura da discussão sobre a implantação da
Zona Azul que o parlamentar toca em uma ferida antiga da nossa economia urbana.
É impressionante a dificuldade crônica de se consolidar esse projeto em nossa
cidade. O histórico de retrocessos é longo: em 2015, uma licitação prevista
para dez anos teve data marcada, mas não saiu do papel; já em 2024, o Tribunal
de Contas dos Municípios cancelou um novo certame. Creio ter havido outras
tentativas, mas que fogem a minha memória.
O que se torna inexplicável é o tempo que esse assunto permanece em
debate, sendo permanentemente adiado por um jogo de forças interessadas que
trava o desenvolvimento coletivo. Não há justificativas plausíveis por parte
dos governantes sobre por que o processo não é retomado imediatamente após cada
interrupção, deixando o Centro à mercê do acaso.
A urgência da Zona Azul reside no fato de que ela é parte da
engrenagem que faz o comércio crescer. Ela traz rotatividade no trânsito, democratização do espaço público, fluidez na circulação de veículos, ordenamento e segurança, além de recursos ao munícipio. Sem
a rotatividade, as vagas são monopolizadas por veículos que permanecem imóveis
o dia inteiro, afastando o consumidor que, por não encontrar onde estacionar,
acaba desistindo da compra ou migrando para centros comerciais fechados. O sistema rotativo permite que
uma única vaga ocupada por 1 a 2h, atenda de 6 a 8 clientes ao longo do dia, melhorando a venda das lojas e reduzindo o tráfego de veículos que circulam
inutilmente à procura de um espaço. Diante da importância vital do comércio para
Feira de Santana, o alerta do vereador soa como um chamado necessário à
responsabilidade pública e ao bom senso urbanístico.