A mobilidade é uma questão central nas cidades e uma das que
mais causam irritação e estresse aos habitantes. O problema não se restringe
aos engarrafamentos, mas estende-se à qualidade das vias, aos buracos, às bocas
de lobo com desníveis e à ausência de sinalização e manutenção. Nesse contexto,
a Avenida Artêmia Pires destaca-se como um registro imemorial da omissão do
poder municipal — cenário que, felizmente, será corrigido (ao menos em grande
parte) pela Prefeitura Municipal de Feira de Santana (PMFS). Ao iniciar a
duplicação possível da via, a gestão assume, enfim, uma postura acertada. A
intervenção era urgente, visto que o fluxo de veículos tornou-se insustentável
diante da explosão de condomínios na região. No entanto, como a expansão
imobiliária no vetor leste da cidade é um fenômeno de longo prazo, o
planejamento urbano não pode ser reativo; ele precisa antecipar o crescimento
futuro, projetando conexões estratégicas, especialmente com a Avenida Nóide
Cerqueira.
Neste cenário, outra via simboliza a ausência de
planejamento e de intervenções contínuas. Já incorporada à malha urbana, a
Avenida Sérgio Carneiro é outro ponto crítico. Requalificada pela última vez em
2014, a via retrata o descaso: padece com drenagem ineficiente, asfalto
exaurido, sinalização precária e a inexistência de acostamentos e pontos de
ônibus adequados. Essa precariedade não é apenas um transtorno urbano, mas um
entrave logístico, visto que a avenida é o principal cordão umbilical entre a
cidade e o seu aeroporto, além de servir como importante ligação com o
município de Coração de Maria.
A urgência na requalificação da Sérgio Carneiro ganha peso
com a ampliação da pista do aeroporto e a expectativa de retomada dos voos
comerciais. Embora a abertura de uma nova via pela Avenida Ayrton Senna seja
uma alternativa viável para melhorar o acesso ao Aeroporto, ela não substitui a
necessidade de transformar a Sérgio Carneiro em um corredor de serviços moderno
e eficiente. A decisão do Governo do Estado de requalificar a via, anunciada
por Jerônimo, ainda que tardia, é muito bem-vinda, pois trata-se de uma questão
de inteligência econômica: significa ordenar o trânsito, garantir a segurança
de quem trafega e consolidar Feira de Santana como um polo logístico regional
preparado para o futuro.