A recente passagem do governador Jerônimo Rodrigues (PT) por Feira de Santana
marcou uma ruptura com as visitas anteriores. Diferente de outras ocasiões, o governador
demonstrou "musculatura" política ao aliar a entrega de obras ao
anúncio de novos investimentos, sinalizando uma mudança drástica de
comportamento. Se antes existia um "namoro" — ou ao menos um jogo de
sedução calcado no possível, mas improvável, acordo com José Ronaldo — desta
vez Jerônimo fincou uma estaca no reduto eleitoral mais disputado da Bahia.
Feira de Santana, sob a influência persistente do “ronaldoismo”,
tornou-se o epicentro da competição entre o grupo de ACM Neto e a base
governista. Com o "jogo jogado", Jerônimo abandonou a neutralidade —
aquela que, como se diz, quando não mata, aleija — e assumiu o papel de
competidor direto. Como bem observou o jornalista Valdomiro Silva, esta foi a
visita mais robusta e significativa do governador à cidade.
O componente pessoal é o diferencial: ao contrário de Jaques
Wagner ou Rui Costa, Jerônimo possui raízes locais como professor da UEFS. Essa
ligação biográfica torna a eleição atual decisiva para que ele consolide sua
história na cidade, buscando resgatar uma dívida significativa com um município
que, historicamente, recebeu menos do que sua importância exigia, na maioria
dos governos.
Em termos numéricos, a evolução é clara. Se em 2006 e 2010
Jaques Wagner ficou atrás de Paulo Souto, e em 2018 Rui Costa foi batido por
José Ronaldo (55,42% contra 35,84%), em 2022 Jerônimo reduziu a diferença para
apenas 1,6 ponto percentual contra ACM Neto (41,21% a 42,87%).
A mudança de postura,
linguagem e atitude durante os três dias de permanência na cidade sugere um
divisor de águas. Para o governo, a estratégia é clara: não basta mais a
relação institucional; é hora de a "onça beber água" e disputar a
hegemonia do Portal do Sertão no campo das realizações apostando na virada na
eleição de 2026.