O desmatamento na Amazônia Legal apresentou
uma redução de 61,4% no último mês de maio. A comparação foi estabelecida com o
mesmo período do ano passado. É a maior redução percentual de desmatamento já
registrada na região. Além
disso, foram registrados 370 quilômetros quadrados de supressão de vegetação no
mês passado, contra 960 quilômetros quadrados em maio de 2025. ![]()
Os dados são do Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo
Real (Deter) e foram divulgados, nesta quinta-feira (11), durante visita do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Observatório Regional
Amazônico (ORA) da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica
(OTCA), em Brasília.
Gerados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe),
os números do Deter orientam as equipes em campo para ações de combate ao
desmatamento, especialmente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos
Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação
da Biodiversidade (ICMBio).
João Paulo Capobianco, ministro do
Meio Ambiente e Mudança do Clima, explicou que a diminuição do desmatamento é
um marco. Isto porque, historicamente, a devastação das árvores costuma
aumentar no mês de maio, coincidindo com o início da estação seca na Amazônia.
O gestor atribuiu a redução ao
trabalho de monitoramento feito pelos órgãos competentes. “Nós monitoramos isso, dia a dia, com
uma certa aflição. Com o Ibama indo a campo, fazendo os embargos remotos; o
ICMBio indo a campo, impedindo o desmatamento em unidades de conservação
federais e, também, agindo em terras indígenas e assentamentos, conseguimos
esse feito fundamental”, destacou.
Já a taxa anual de desmatamento é extraída do sistema do
Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por
Satélite (Prodes), que vai de agosto de um ano ao mês de julho do ano seguinte.
A expectativa, conforme Capobianco, é ter, no próximo período, a ser
consolidado em 31 de julho de 2026, o menor número final de desmatamento da
história da Amazônia.
No período agregado de agosto de
2025 a maio de 2026, a queda no desmatamento foi de 37,5%, em relação a agosto
de 2024/maio de 2025. A
área desmatada, no período, foi de 2.189 quilômetros quadrados, também a menor
da história. “Isso mostra que o controle de desmatamento na Amazônia está
funcionando”, observou o ministro, citando ações anunciadas, ontem, pelo presidente Lula, durante cerimônia
pelo Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho.
Entre os alertas de desmatamento do Deter, 37,1% foram em
áreas regularizadas. Na Amazônia Legal, o desmatamento permitido em
propriedades privadas é de 20% da área, de acordo com as regras do Código
Florestal. Já 21,3% dos alertas ocorreram em cima de floresta públicas não destinadas
e 17,4% em áreas sem registro fundiário, ou seja, áreas de desmatamento ilegal.
Cerrado – O Inpe
apresentou, ainda, os dados de alertas para o Cerrado brasileiro. De acordo com
o balanço, há tendência de queda no desmatamento deste tipo de bioma. Em maio de 2026, houve redução de
12,2% no desmatamento, em relação a maio do ano passado.
Para o período agregado de agosto de 2025 a maio de 2026, a
queda na supressão de vegetação foi de 8,2% em relação ao período anterior.
Foram de 4.208 quilômetros quadrados de floresta desmatada. No caso do Cerrado,
73,4% do desmatamento ocorreu em propriedades privadas já regularizadas. Neste
bioma, 65% das áreas podem ser desmatadas, ou seja, é um desmatamento legal, do
ponto de vista de autorização.
Acusação dos EUA – A persistência do desmatamento ilegal
no Brasil é uma das alegações dos
Estados Unidos para a imposição de tarifas adicionais a produtos
brasileiros importados no país. No início de junho, o Escritório do
Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu uma taxação punitiva
de 25% diante de práticas brasileiras “irrazoáveis” e que “oneram ou
restringem” o comércio estadunidense.
Na avaliação do USTR, mesmo o
Brasil tendo um marco legal para combater desmatamentos ilegais, o país tem um
histórico de falhas na sua aplicação eficaz. O ministro João Paulo Capobianco refutou a alegação
estadunidense e ressaltou que os dados mostram o contrário. “O Brasil está
agindo objetivamente e obtendo resultados comprovados pela pesquisa, pelos
estudos científicos, de que a Amazônia está numa nova situação, com controle
ambiental, com resultados realmente muito positivos”, assegurou.
O presidente Lula reforçou que os Estados Unidos estão
equivocados quando questionam as ações do Brasil contra o desmatamento. “Eles
não sabem o trabalho que nós realizamos para fazer com que o desmatamento
chegue a zero até 2030”, criticou o governante, destacando as metas brasileiras
na área do meio ambiente e mudanças climáticas.
Lula enfatizou, ainda, que isso é uma decisão de sua gestão. “É
por uma questão de justiça e de participação do Brasil para ajudar o planeta
Terra, cumprir com a nossa obrigação de tentar evitar o desmatamento o máximo
possível e provando que o não-desmatamento é mais lucrativo do que o
desmatamento”, afirmou.
João Paulo Capobianco também classificou como inverdade a
alegação de que o Brasil estaria exportando madeira de origem ilegal. “Toda a
madeira exportada pelo Brasil é monitorada. Existe toda cadeia de custódia, com
código de barras detalhado. Tudo o que é extraído no manejo florestal na
Amazônia é devidamente acompanhado”, garantiu.
*Com informações da
Agência Brasil.