Pequenos criadores estão preocupados com a falta de segurança no campo e os prejuízos causados por esse tipo de crime; as autoridades, com o comércio clandestino, que pode colocar a saúde dos consumidores em risco
O registro de dois casos de abate clandestino de animais, ocorridos, esta semana, em propriedades rurais do município de Feira de Santana, reacendeu a preocupação de produtores com a ação de quadrilhas especializadas no furto de gado e na comercialização ilegal de carne.
Os crimes foram registrados nos distritos de Tiquaruçu e
Humildes, na zona rural da cidade. No primeiro caso, criminosos invadiram uma
fazenda situada na localidade de Malhada Nova, em Tiquaruçu, cortaram a cerca
da propriedade e abateram um boi de, aproximadamente, 17 arrobas. No local,
foram deixadas, somente, a cabeça, as vísceras e as patas do animal.
Em Humildes, uma vaca prenha foi abatida dentro do pasto de
uma fazenda localizada na região de Areia Fina. Os criminosos retiraram toda a
carne e abandonaram a cabeça, os pés, o couro e até o feto do animal. O proprietário
estima um prejuízo de cerca de R$ 6,5 mil.
As vítimas registraram boletins de ocorrência em uma
delegacia da Polícia Civil da Bahia (PCBA). Também levaram a situação ao
conhecimento do tenente-coronel Michel Alexander Guimarães Muller Azevedo, chefe
do Comando de Policiamento Regional Leste (CPRL), da Polícia Militar da Bahia
(PMBA).
Embora estes casos tenham ocorrido em Feira de Santana, o
problema não é isolado. Nos últimos anos, produtores rurais de diversos
municípios do Recôncavo baiano vêm denunciando ações semelhantes. Entre as
cidades mais citadas, estão: Santo Amaro, São Sebastião do Passé, Terra Nova,
Amélia Rodrigues, Teodoro Sampaio, São Gonçalo dos Campos e São Francisco do
Conde.
O modo de atuação dos criminosos costuma ser semelhante. Eles
invadem as propriedades durante a madrugada, realizam o abate dos animais no
próprio local e levam apenas a carne, deixando espalhados cabeças, couros,
vísceras e outros restos mortais.
Em muitos casos, a ação é rápida e ocorre em áreas afastadas
das sedes das fazendas. A suspeita, entre produtores e entidades do setor
agropecuário, é de que exista uma rede de receptação responsável por colocar
essa carne no mercado clandestino.
Além do prejuízo econômico para os pecuaristas, a situação
levanta um alerta para a Saúde Pública. Sem qualquer inspeção sanitária,
controle de origem ou fiscalização dos órgãos competentes, parte dessa carne
pode chegar ao consumidor de forma irregular, representando riscos à população.
Diante do avanço dos casos, sindicatos rurais, associações de
produtores e entidades ligadas ao agronegócio têm cobrado maior fiscalização
sobre a comercialização de carne, além da criação de estruturas permanentes de
policiamento rural especializado, a fim de reforçar a segurança nas
propriedades do interior.
A Polícia Civil informou que está investigando os dois casos
registrados em Feira de Santana. O inquérito visa identificar e localizar os
responsáveis pelos crimes.