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  • Feira de Santana, sexta, 12 de junho de 2026

Economia

Concorrência do etanol e subvenção do Governo Federal fazem preço da gasolina cair

12 de Junho de 2026 | 17h 22
Concorrência do etanol e subvenção do Governo Federal fazem preço da gasolina cair
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A concorrência com o etanol e as ações do Governo Federal para subsidiar combustíveis implicaram na queda do preço da gasolina, nos postos. Em maio, o preço recuou 1,46%, representando o produto que mais puxou para baixo a inflação oficial do mês.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de maio ficou em 0,58%. O dado foi divulgado nesta sexta-feira (12). O comportamento do preço da gasolina significou impacto de -0,08 ponto percentual (p.p.) no IPCA do mês.

A queda segue dois meses de alta, provocada pelo conflito bélico comandado pelos Estados Unidos e Israel no Oriente Médio. Os ataques ao Irã, onde está localizado o Estreito de Ormuz, principal rota de escoamento da produção de petróleo mundial, causou disrupção na cadeia internacional do referido combustível fóssil, encarecendo seus derivados, como é o caso da gasolina e do óleo diesel, em, praticamente, todo o planeta.

Veja o comportamento do preço da gasolina no Brasil, após o início da guerra, no dia 28 de fevereiro de 2026:

 

- MARÇO: 4,59%;

- ABRIL: 1,86%;

- MAIO: -1,46%.

 

Em entrevista à Agência Brasil, Fernando Gonçalves, analista do IBGE, apontou que o etanol ficou 6,2% mais barato no mês de maio, sendo o segundo produto que mais puxou para baixo o IPCA. “Caiu por conta de uma disponibilidade maior”, contextualizou.

Ele ressaltou, ainda, que o produto está mais rentável, fazendo com que os produtores disponibilizem a safra de cana mais para a produção do etanol, em detrimento ao açúcar. Com mais etanol no mercado, o preço de venda fica menor. “Com etanol mais barato, a gasolina, por concorrência, acaba também reduzindo o preço”, destacou.

O Brasil tem grande parte da frota de automóveis flex. Isto permite que o motorista escolha a forma de abastecimento, se com gasolina ou etanol, na hora em que chega ao posto de combustíveis.

Subvenção – Outro elemento que ajudou a derrubar o preço da gasolina foi política de subvenção adotada pelo Governo Federal do Brasil. O subsídio implica uma espécie de reembolso para produtores e importadores do combustível.

A medida é uma das formas de o governo brasileiro evitar que a escalada no custo dos derivados de petróleo cause choque de preços no país. Atualmente, a subvenção está em R$ 0,44 por litro. Este é o valor que a União paga aos agentes do mercado, em troca do repasse do “desconto” aos consumidores finais.

Na prática, é como se o Governo Federal devolvesse às refinarias e importadores parte dos tributos cobrados sobre os combustíveis, como o Programa de Integração Social (PIS), a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide).

A medida colaborou para a diminuição do impacto de um aumento recente anunciado pela Petrobras, principal produtora de gasolina do país. A estatal reajustou o preço em R$ 0,48, mas apenas o valor de R$ 0,04 foi repassado aos consumidores finais.

Diesel – A política de subvenção também foi aplicada ao óleo diesel, majoritariamente usado por caminhões e ônibus. Em maio, o IBGE verificou um recuo de 2,34%, sendo o quarto produto que mais puxou a inflação para baixo.

Em março, primeiro mês de guerra no Oriente Médio, o combustível subiu 13,9%. Em abril, 4,46%. No diesel, a subvenção chegou a R$ 1,52 por litro pago aos importadores e R$ 1,12 pago aos produtores, em maio.

Frete ainda pesa – Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE, o de transportes ? que inclui os combustíveis ? foi o único que apresentou deflação em maio, isto é, na média, ficou mais barato (-0,46%).

Apesar desse comportamento, o frete ainda pesou no mês e ajudou os alimentos a subirem 1,33%, sendo o maior impacto de alta no IPCA de maio (0,29 p.p.). “O frete caiu, mas ainda está onerando o preço dos alimentos”, afirmou Gonçalves.

Guerra e preço – Iniciada no último fim de semana de fevereiro, a guerra travada contra o Irã teve reflexos, como ataques a países vizinhos que também são produtores de petróleo.

Outra consequência foi o fechamento do Estreito de Ormuz, no Sul do Irã, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã. Antes da guerra, passava por lá cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás natural.

Com a cadeia logística em turbulência, a oferta do óleo cru e seus derivados diminuiu, no mundo, levando à escalada dos preços. O barril do Brent, referência internacional de preços, saltou de US$ 70 para mais de US$ 100, atingindo picos ao redor de US$ 120.

O petróleo é uma commodity, ou seja, mercadoria negociada a preços internacionais. Isso fez com que o encarecimento fosse sentido também no Brasil, mesmo o país sendo produtor.

No caso do diesel, especificamente, o Brasil ainda não é autossuficiente. Isto faz com que o país precise importar cerca de 30% do que consome.

 




 

 

 

*Com informações da Agência Brasil.



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