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Bahia

Poeta baiano Fabrício Oliveira conquista prêmio da Academia Brasileira de Letras

21 de Junho de 2026 | 10h 13
Poeta baiano Fabrício Oliveira conquista prêmio da Academia Brasileira de Letras

Autor de Noite Obscena, escritor de São Estevão vence o Prêmio Manuel Bandeira, concedido ao melhor livro de poesia do ano pela ABL

A poesia baiana acaba de receber um dos mais importantes reconhecimentos da literatura brasileira. O poeta Fabrício Oliveira, natural de São Estevão, no interior da Bahia, foi anunciado pela Academia Brasileira de Letras (ABL) como vencedor do Prêmio Manuel Bandeira – Livro do Ano na categoria Poesia, graças à obra Noite Obscena.

O resultado foi divulgado pela ABL no último dia 12 de junho, juntamente com os vencedores das categorias Ficção e Humanidades. A cerimônia de entrega ocorrerá em 23 de julho, durante as comemorações dos 129 anos da instituição.

A escolha de Fabrício Oliveira foi apresentada pelo acadêmico e crítico literário Antonio Carlos Secchin, responsável pelo parecer da comissão avaliadora. Em sua justificativa, Secchin destacou a maturidade poética do autor, apesar da juventude, e ressaltou a consistência estética alcançada ao longo do livro.

Segundo o acadêmico, Noite Obscena revela um poeta de sólido domínio técnico e grande capacidade de construção imagética. A obra foi descrita como um percurso por um universo marcado pela corrosão das experiências humanas, mas atravessado por momentos de delicada esperança. O parecer também enfatiza a originalidade do campo metafórico construído pelo autor, considerado um dos aspectos mais marcantes do livro.

A notícia da premiação chegou ao escritor por meio de uma ligação telefônica do próprio Secchin. Aos 30 anos, Fabrício confessou ter recebido o anúncio com surpresa.

“Fiquei e acho que ainda estou em choque. Ganhar um prêmio da ABL, a guardiã das letras no Brasil, era inimaginável”, declarou.

A trajetória do poeta ajuda a compreender o significado da conquista. Filho do interior baiano, Fabrício começou a estudar ainda criança como alternativa ao trabalho diário na roça da família. Formado em Letras Vernáculas pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), transformou a paixão pela leitura em uma carreira literária construída com persistência e independência.

Sem o apoio de grandes estruturas editoriais, o autor costuma divulgar pessoalmente seus livros, enviando exemplares a escritores, críticos e leitores. Foi justamente esse esforço de circulação que ajudou sua obra a alcançar integrantes da Academia Brasileira de Letras.

Antes do reconhecimento da ABL, Fabrício já havia acumulado importantes distinções no cenário literário nacional. Em 2022 venceu o Prêmio Nacional Moutonnée de Poesia e, no ano seguinte, recebeu o Prêmio Nacional de Campos do Jordão. Recentemente, também participou da antologia Brasil-Alemanha Hoje sou um horizonte / Heute ich bin ein Horizont.

Sobre Noite Obscena, o poeta afirma que o livro nasceu da tentativa de dar voz àquilo que frequentemente permanece oculto na experiência humana.

“A noite aparece não apenas como cenário, mas como estado de espírito. É um espaço onde desejos, ausências, memórias e inquietações encontram expressão. O obsceno, nesse contexto, não é apenas o que provoca ou escandaliza, mas aquilo que revela com sinceridade os sentimentos, os medos e as contradições que carregamos”, explica o autor.

A premiação representa não apenas uma conquista individual, mas também um reconhecimento da vitalidade da produção poética contemporânea da Bahia. Em um cenário frequentemente dominado pelos grandes centros editoriais do país, a vitória de um poeta oriundo do interior baiano reafirma a força das vozes literárias que continuam surgindo fora dos circuitos tradicionais de consagração.

Com Noite Obscena, Fabrício Oliveira inscreve seu nome entre os vencedores de uma das mais prestigiosas distinções literárias do país e projeta sua obra para um público nacional ainda mais amplo, consolidando-se como uma das vozes promissoras da nova poesia brasileira.



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