Segundo a Cooperfeira, o elevado estoque de carne e o consumo mais fraco no varejo continuam pressionando o mercado
O aumento dos estoques de carne e o consumo mais fraco no varejo seguem pressionando o mercado do boi gordo na região de Feira de Santana. De acordo com a Cooperativa de Pecuaristas de Feira de Santana (Cooperfeira), com maior oferta disponível e menor necessidade de reposição por parte dos frigoríficos, a arroba permaneceu cotada em R$ 320, esta semana.
O levantamento está baseado nas negociações acompanhadas no
Frifeira, frigorífico ligado à entidade. Conforme os dados, o valor registrado neste
período representa um dos menores patamares de 2026 e consolida a mudança de
cenário observada nas últimas semanas.
O ano começou com a arroba em R$ 310; avançou para R$ 320, em
fevereiro; e atingiu o pico de R$ 350, em março e abril. Em junho, o mercado
permaneceu, praticamente, estável em R$ 330, com exceção da semana de 16 de
junho, quando voltou a R$ 340. Nas duas últimas semanas, porém, a cotação
recuou para R$ 320, retornando ao valor praticado em fevereiro.
O comportamento do mercado, diz a Cooperfeira, está
diretamente ligado ao forte ritmo de produção registrado entre junho e o início
de julho. Nesse período, o Frifeira operou com elevado volume de abates,
chegando, em alguns momentos, ao limite de sua capacidade operacional.
A maior disponibilidade de carne, no entanto, não foi
acompanhada pelo mesmo ritmo de consumo, resultando em estoques elevados e
menor demanda por novos animais para abate. Como consequência desse cenário, o Frifeira
reduziu o ritmo de abates, esta semana, em cerca de 20% a 25%, acompanhando a
menor oferta de animais e a necessidade de ajuste entre produção e demanda.
POSIÇÃO DA BAHIA – Outro aspecto que chama a atenção,
segundo a cooperativa, é a posição da Bahia no mercado nacional. O estado
passou a trabalhar com uma das menores referências de preço da arroba do país,
ficando abaixo, inclusive, de estados que, historicamente, registravam cotações
inferiores.
De acordo com a Cooperfeira, “esse comportamento tem levado
os pecuaristas a acompanhar, com mais atenção, a evolução das principais praças
pecuárias brasileiras, em busca de sinais que indiquem uma possível recuperação
do mercado”.
Embora o mercado interno esteja mais lento, as exportações
brasileiras de carne bovina continuam em bom ritmo e seguem como um importante
fator de sustentação para o setor. A expectativa, conforme a entidade, é que a
evolução dos estoques de carne, a retomada do consumo e o comportamento da
oferta de animais sejam determinantes para a definição das próximas cotações.
Os valores divulgados são baseados em informações repassadas
por compradores que realizam abate no Frifeira e servem como referência para o
mercado regional, podendo oscilar conforme a movimentação diária.