Com o voto decisivo para a cassação de Cunha a deputada desapareceu, não indo à sessão e gerando especulações de todo tipo. Certamente está a receber os agrados de Cunha e do governo e apostando que pode enfrentar a fúria da população se votar contra sua saída. É um lucro que irá lhe custar muito caro.
Ao que parece os políticos não estão ouvindo a mensagem das ruas. Temer segue nomeando investigados e denunciados da Lava Jato; o Congresso não consegue afastar Renan e Cunha; e o governo, ao invés de reduzir gastos, aumenta. A cumplicidade com a banda podre resulta da dependência para manter o impeachment, mas a população não aceita mais que a política siga o mesmo ritual criminoso habitual. É bom entender que não se fará mais política nos bastidores, sem a opinião da população, sem as redes sociais. Quem não entender ficará para trás.
Acreditar que a vitalidade da cultura depende de sua institucionalização em um Ministério é estar ainda preso a uma concepção burocrática, estatizada, estatal, de sua prática. Uma dependência atávica de um Estado organizador e, ao final, direcionista.
A cultura brasileira, se diversa, múltipla, significativa em sua regionalização, tem modesta expressão internacional e isto não se resolve com espaço administrativo inchado, empreguista e cartorial como o existente no Ministério. Passa por outras questões, que vão desde idioma até qualidade da produção.
Podemos ter um Ministério absolutamente improdutivo - e já o tivemos, por bastante tempo - ou hiperfuncionante. Há Secretarias estaduais que produziram com mais qualidade que o órgão central e isto se repete até em minha cidade, com a variação de gestores.
Podemos ter um Ministério de Cultura e Comunicação (como na França), Cultura, Educação e Esportes (como na Espanha), ou só um Departamento (como na Inglaterra). Não consta que estes países tenham inviabilizado sua expressão cultural por conta disto.
A unificação de Cultura e Educação com uma Secretaria, ao contrário do que apontou a gritaria, faria com que a estrutura mais enxuta economizasse gastos. O que fará diferença não é seu status, mas sua transparência, sua capacidade de execução, sua definição de política cultural, que não a transforme numa sinecura confortável para grupinhos, artistas do show-business ou amigos do poder. Mas seja realmente capaz de fomentar o desenvolvimento e aprofundamento da cultura do país em todas as suas dimensões , inclusive como geradora de emprego e renda.
O governo do PT com sua TV oficial, contratos com blogs sujos (apontados na lava-jato), liberação de verbas do MinC para projetos estapafúrdios - e outros justos - apenas montou uma rede de formadores de opinião cooptando jornalistas, artistas com voz na mídia, que possuem espaço e repercussão. Muitos deles acomodaram-se ao baixo risco de investimento e exigência de sua produção em um processo feliz para todos. Afinal, correr perigo com o dinheiro do contribuinte é tranquilo e favorável. Na velha prática da dominação cultural o governo construiu sua gordura protetora.
A gritaria contra a unificação vem de muitos que o fazem independente do resultado - é a militância praticante - e outra significativa parte vem dos seriam obrigados a respirar sem o aparelho governamental.
Não houve um argumento sequer apresentado, mostrando que o fechamento do MinC transformaria a pujante cultura nacional numa bagaceira geral. Ninguém deu exemplo de um país que dependa deste majestoso cabide de empregos.
Volto e encerro. Não é o status, nem o tamanho do orgão que mudará os resultados. O sucesso ou fracasso do novo ministro não dependerá da atual estrutura. Torço por seu sucesso, embora sua origem carioca, com amizades demais no eixo Sul, me deixem dúvidas se resistirá aos usufrutuários das verbas ministeriais.
Sem dúvida que a atitude mais acertada e corajosa do novo governo até agora foi a reação de José Serra aos protestos dos países bolivarianos contra o impeachment.
Ao reagir com duas firmes notas, Serra deu uma guinada na nossa vergonhosa e cúmplice política a externa. Foi firme, preciso e mostrou que o Brasil é soberano e não pode servir de saco de pancadas a ditaduras e demais países bolivarianos.
A partir de agora, com certeza vão pensar duas vezes antes de atacar o cachorro grande.
A longeva e caquética ditadura cubana lidera as reações contra o impeachment, como se tivesse alguma condição moral de criticar uma democracia. Aliás, quando Farinas morreu em uma prisão cubana, apesar de ser um preso político, Lula comparou os dissidentes a criminosos de São Paulo e disse que não podia interferir.
Agora Cuba pode interferir no Brasil? Em verdade estão defendendo apenas o dinheiro do porto, do aeroporto, do Mais Médicos, que compõe seu parasitismo e oxigênio para manter a ditadura.