Nenhum outro trio merece mais a cadeia do que Renan, Sarney e Jucá. Entretanto é difícil compreender o jogo que acontece em Brasília entre o MP, de Janot, e o STF. Tola ilusão imaginar que é só o que vemos norteia estas ações.
Quando Sérgio Moro vazou o áudio de Dilma e Lula obstruindo a Justiça, jogou xadrez. Apostou sua obra e os resultados da Lava Jato no impedimento da posse de Lula como ministro, o que, certamente, teria mudado o rumo da situação.
Agora, Janot pediu a prisão do trio por obstrução à Justiça, o que foi negado por Teori, que tem se comportando muito bem. Por mais leigos que sejamos, as conversas dos três não parecem suficientes para um pedido de prisão por obstrução judicial, e soa estranho, pois as acusações de roubo e corrupção parecem muito mais consistentes. Não ficaria bem a um procurador usar o vazamento como elemento de punição, mesmo sabendo que houvesse dificuldade de produzir provas.
Tentou Janot pressionar o STF, que costuma sentar sob processos, e ao permitir vazamentos garantir que o sigilo fosse suspenso, pois não faria mais sentido, e com isso garantir que toda a extensão do depoimento de Machado fosse liberada? De Temer a Jandira Feghalli? Jogou xadrez, Janot?
Tentou a prisão dos três, sabendo que não a obteria, e com isso tornou um segundo pedido de prisão da cúpula do PMDB algo mais difícil? Não sei e acho que ninguém sabe.
A única coisa que creio certa é que este pedido de prisão - merecida, ressalto -, por motivos menos consistentes, foi peça de um jogo político, não uma mera ação judicial.