A longevidade no poder, 16 anos no caso de Feira, do DEM, tem vantagens e desvantagens. Fica-se com o lucro dos acertos, mas não se tem culpados para terceirizar os erros. É assim na eterna discussão sobre a ocupação do centro da cidade, de forma desordenada, por barracas em que o governo municipal é o principal responsável pela situação a que chegamos.
Agora,um outro incêndio nas proximidades da Sales Barbosa trouxe novamente a discussão para o centro das atenções. A tragédia, que poderia ter sido ainda maior, retrata o potencial destrutivo que a tolerância impôs àquela região.
Eleição após eleição, mandato após mandato, o governo municipal promete uma solução definitiva para o caos comercial e lá se vão quatro mandatos. A última proposta era um Shopping Popular, pago, que atravessou os quatro anos sem sair do papel e, entre disputas jurídicas e adiamentos, segue sem sair do chão. Enquanto isto o comércio informal vai se expandindo e as soluções se defasando.
Em entrevista, o Secretário Borges Junior, disse a Glauco Wanderley, no seu programa na Jovem Pan, que a situação precisa de decisão e enfrentamento. O problema da longevidade é que qualquer comentário sobre algo que não aconteceu torna-se autocrítica, pois faltou ao governo foi exatamente decisão e enfrentamento.
Há a resistência dos camelôs embora lhes falte uma proposta atrativa, o populismo oportunista da Câmara, o “faz de conta que não viu”, do Ministério Público (diante do risco terrível de vida que representa um incêndio naquela rua e o desrespeito a vários Estatutos) e o “empurra com a barriga”, do governo municipal, que preferiu apostar na falta de cobrança incisiva. E para isso conta com certa passividade dos comerciantes e da própria sociedade.
O exemplo de ACM Neto, em Salvador, que melhorou substancialmente o caos que era a Avenida Sete de Setembro e o Largo de São Pedro, é um exemplo de que é possível encontrar soluções com decisão e negociação.
Esperemos que mais este sinal de alerta acelere as ações municipais na busca de resolver a ocupação desordenada, sem esvaziar o centro comercial - embora o período de eleições sugira que nada será feito. E que o pudor impeça nova onda de promessas no programa eleitoral.