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César Oliveira

Esporte, medalhas e apropriação indébita

17 de Agosto de 2016 | 12h 43
Esporte, medalhas e apropriação indébita

A relação de medalhas é uma forma tão verdadeira quanto qualquer outra de identificar o grau de desenvolvimento de um país. Não é a atoa que os  EUA vão emplacar sua milésima medalha nestes jogos,  mesmo sem ter  um Ministério dos Esportes para chamar de seu. Lá, um Phelps, que anda aí pelas 29 medalhas olímpicas é fruto do talento e treinamento extremado. E só.

No Brasil, a cada medalha meus instintos mais primitivos entram no tatame, embarcam na canoa furada, dão piruetas nas argolas e atiram na hipocrisia narrativa. É só o atleta faturar uma medalha e sua biografia começa a ser possuída por alguma entidade dementadora, tal como naqueles livros do Harry Potter,  alguma narrativa social. É a judoca lésbica, ginasta racista, o boxeador arrodeado de mulheres fortes, a nadadora negra, e por aí vai.

As notícias seguem como pautas xerox. Não se fala da rotina de treinamento, do tempo empregado na preparação, da técnica que resultou em vitória, do modelo que selecionou os melhores, do projeto que resultou em sucesso e qual fracassou. De quem treinou no exterior e quem treinou no Brasil, da importação de técnicos, do espaço de treinamento. Ou porque 9 dos 11 medalhistas são militares. Qual impacto e que diferença fez estarem inseridos nas Forças Armadas., por exemplo? 

Enfim, não se fala do que fez aquele atleta se tornar um vencedor, pois, este é o verdadeiro diferencial e o retrato da atenção que o país dá ao esporte. Narrativas sociais, apropriação indébita do atleta por causas, não dá  medalha a nenhum deles. Nem dará.



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