Volto ao assunto pela gravidade da questão. A crise atual do Brasil tem um pé em um projeto permanente de poder e outro na corrupção instalada para sua sustentação. O roubo, no entanto, não é inaugural. Aportou com as caravelas de Cabral e tomou impulso com a lassidão judicial e a falência moral que vivemos.
Um dos raros avanços que tivemos nos últimos anos foi a criação da Lei da Ficha Limpa, após iniciativa popular, que recolheu mais de 1,6 milhões de assinaturas. Com ela, 4339 prefeitos e ex-prefeitos corruptos estavam afastados das tetas públicas.
Agora, com a esdrúxula decisão do STF - que ao invés de correção de algum aspecto, preferiu suspender a lei-, afirmando que apenas as Câmaras de Vereadores deixarão um candidato com as contas desaprovadas pelos Tribunais de Contas, inelegível, todos aqueles afastados poderão voltar. E já estão se candidatando. É de dar calafrios.
Não fosse pouco, o Ministro Gilmar, deselegante, desrespeitoso, inconveniente, disse que a lei parecia " feita por bêbados".
Com a decisão do STF a Sociedade brasileira acordará mesmo de ressaca.