A pesquisa Tv Subaé /Ibope confirmou favoritismo de Ronaldo, o que não é surpresa; e mostrou rejeições inesperadas, o que é novidade
O Ibope e a TV Subaé divulgaram a primeira de três pesquisas eleitorais. O favoritismo de Ronaldo- bola mais que cantada- foi confirmado. Alguns dados chamaram atenção quando comparados a eleição de 2012. Naquele ano o Ibope também fez três pesquisas eleitorais em Feira, como mostramos a seguir:
Ronaldo Neto Jhonatas Tarcisio
1ª 76% 8% 1% 3%
2ª 63% 16% 3% 8%
3ª 65% 18% 5% 4%
Rejeição 11% 34% 25% 53%
Eleição 66% 18,5% 9,2% 6,1%
Na primeira pesquisa de 2016 a largada está assim:
Ronaldo Neto Jhonatas Ângelo Jairo Leonardo
Intenção 64% 14% 8% 1% 1% 1%
Rejeição 16% 42% 17% 16% 21% 15%
Avaliação do governo Ronaldo:
Ótimo – 58% Regular 30% Ruim/péssimo 12%
Os dados de intenção de voto mostram Ronaldo estacionado no mesmo patamar com que ganhou a eleição, sugerindo que a batalha das trincheiras e o IPTU não impactaram em seu governo, negativamente, embora, também, não haja um crescimento eleitoral percentual. Naquela eleição houve uma queda de 11% entre a primeira e última pesquisa, mas isto não significa que o fato pode se repetir. Jhonatas era uma novidade, abocanhou parte dos descontentes e ficou em 9,2% dos votos, praticamente seu ponto de partida atual. Neto, que acabou com 18%, não cresceu nestes quatro anos, apesar do apoio do Estado, talvez pelo desgaste do partido. Os demais, Ângelo, Jairo, Leonardo, não eram candidatos em 2012.
O aspecto mais interessante da pesquisa vem no quesito rejeição. Enquanto Ronaldo, mesmo após 16 anos no poder, teve crescimento de apenas 5%%, menos do que se esperava pelos comentários na cidade, Neto, saltou de 34% para 42%. Ninguém pode ter esperança eleitoral com uma rejeição deste tamanho.
A gigantesca surpresa vem, no entanto, com a rejeição dos demais: Jhonatas, Leonardo e Ângelo ao redor dos 15% e Jairo com 21%. Impressiona que mesmo os que estão militando na política, continuamente, como Ângelo e Jhonatas, têm a mesma rejeição que um desconhecido, Leonardo, que tem 1% de intenção de voto, e, menor que outro que há anos não milita em Feira, portanto desconhecido do eleitorado mais novo, como Jairo, que chegou a 21%. Vale ressaltar que a rejeição de Jhonatas caiu de 25% para 17%. A explicação, claro, é que na rejeição é possível votar em mais de um o que universalizou a média, mas, também, sugere que esta média de rejeição para os candidatos da oposição não é real, nem igual, pelo menos para parte deles. A forma da pergunta acaba induzindo este resultado.
Considerando-se que apenas 12% dos entrevistados acham o governo Ronaldo péssimo e que 24% têm intenção de votar na esquerda mais radical (Neto, Jhonatas e Leonardo), voto historicamente imutável, significa que metade destes eleitores, apesar de votar na oposição, não acha o governo Ronaldo péssimo. É muito singular.
Ao juntarmos os 58% de ótimo com 6% dos 30% que acham regular chegaremos a margem de Ronaldo de 64% de intenção de voto. O 36% restante estaria disposto a votar na oposição, anular, ou votar em branco, o que dá a eleição em primeiro turno a Ronaldo.
A pesquisa não publicou a lista de bairros e há dados do questionário com interessantes perguntas que não estão disponíveis. Ela foi feita em período similar em 2012, ano no qual tivemos maior tempo de campanha. É o retrato eleitoral do momento e se alguém tiver dados diferentes é hora de botar as cartas na mesa. Não custa lembrar que o Ibope, apesar de errar muito na Bahia e outros lugares, acertou em cheio a eleição de Ronaldo em 2012.