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César Oliveira

A tragédia nos humaniza.

César Oliveira - 29 de Novembro de 2016 | 18h 22
A tragédia nos humaniza.
As grandes tragédias sempre trazem uma  pergunta inexplicável. Porquê? E justo com um time de futebol 
que vinha fazendo uma trajetória bonita e ia disputar sua primeira final continental. Acontece que  a vida não tem justificativas, nem merecimentos, nem razões. A vida tem acasos. A explicação técnica virá da caixa preta; a explicação da escolha,  nunca chegará.
 
Muitas vezes os fatos acontecem como uma combinação de pequenos detalhes que somados causam os acontecimentos: alguém que sai para pescar mesmo em dia de chuva, sozinho, tento esquecido o rádio e a bússola. Outras, são apenas efeitos de fatores imprevisíveis ou ainda não detectados, como o congelamento dos pilot no avião da Air France, o que aconteceu pela primeira vez.
 
As tragédias coletivas nos chocam porque nos tiram do imobilismo e resgatam em nós uma sensação de 
solidariedade que temos perdido nos eventos individuais, e, por outro lado, porque nos sinalizam que
a fragilidade é universal e o acaso pode chegar para nós em qualquer momento. A tragédia
nos humaniza, relembra nossa mortalidade, amofina nossa onipotência, e pontua que estamos em um voo sem nenhum controle sobre ele.
 
Todo dia é um drible; a vida,  um jogo. Celebremos todos os dias, a imperceptível vitória. E choremos, pelos que perdemos, pois somos nós mesmos.


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