Quanto mais vejo o caso Calero, menos acredito que o que parece, é. Algumas questões:
1- Ao assumir o MinC, Calero, fez vários esforços para barrar a CPI da Lei Rouanet ( tem muitos amigos entre os artistas, após ter sido Secretário de Cultura, no Rio ) tendo sido questionado na imprensa por esta atitude, agora, mudou de conduta e tom em relação ao bem público.
2-O mais grave, no entanto, como escrevi no mesmo dia da demissão, foi que, Calero, disse que " uns amigos na PF" o aconselharam a gravar as conversas. Há algo de muito errado quando um servidor da PF, um orgão da estrutura do Estado, estimula um Ministro a gravar o Presidente da República clandestinamente. Ou Calero desmente que foi a PF, ou coloca a PF em maus lençóis e precisamos saber quem foi.
3- Calero diz que as gravações de Temer, são protocolares. Ora, se são protocolares porque gravar o Presidente?
Cada vez mais tenho a impressão que Calero sentiu o potencial lesivo do material que tinha em mãos, sabia que derrubaria Geddel e abalaria o governo. Com este material pensou que poderia incluir Temer no bolo e resolveu gravar o Presidente. Calero prestou um serviço inesmitável e merecedor de aplausos ao denunciar Geddel, mas foi muito além dos seus sapatos ao GRAMPEAR A PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA. Não é uma decisão qualquer. É uma aposta muito alta.
Quando o juiz Sérgio Moro, investigando um crime, gravou indiretamente a Dilma, o mundo veio abaixo e Moro foi acusado de todas as formas. Agora, quando um Ministro grava o Presidente clandestinamente, não posso crer que isso seja normal.
Ás vezes, faz-se o certo por motivos errados e vice-versa. Calero tem um certo ar vaidoso, fez o certo, mas acho que apostou ser apenas o mocinho no filme do herói, embora também não deixe de ser um Calero de Tróia.