Não é a única causa, mas desde que o Ministério da Justiça passou a fazer parte da barganha da "governabilidade"e tornou-se um assento de alta rotatividade a violência apenas se agravou. Combatê-la exige planos de curto, médio, longo prazo, e intervenções continuadas, o que não acontece se o grupo de gestores muda continuamente.
Não se sabe, nem se tem notícia de nenhum plano nacional de combate a violência que tenha sido organizado, financiado, posto em prática, de forma completa, pelo Ministério da Justiça. O que há são ações pontuais, ou em períodos especiais como as Olimpíadas, no RIo.
Nenhum plano de policiamento de fronteiras efetivo, combate a lavagem de dinheiro ( fundamental), reestruturação do sistema policial, combate a corrupção judicial e policial, combate ao tráfico de armas, organização, integração, unificação dos sistemas de combate ao crime tem sido apresentado.
O que há são meras ações de faz de conta, factóides para render manchetes e dar impressão que não vivemos em um sistema de parasitismo com o crime. Aliás, alguns defendem que o PCC ajudou a reduzir o crime em São Paulo, o que, particularmente, acredito.
Esta inércia, tolerância, falta de ação, que levou o Rio de Janeiro ao desmando total e ocupação integral pelo crime- nos palácios e nas ruas-, é a mesma que permite o PCC tomar violentamente a tríplice fronteira, incluindo um roubo milionário no Paraguai; as quadrilhas terem controle total dos presídios; a violência recrudescer barbaramente em Feira e a ex-pacata Berimbau tornar-se um centro de refinamento de drogas, com mais de 200kg de cocaína apreendida em um laboratório.
Não é mais possível que esta nódoa miserável, suja, menor, que se constitui a atual política brasileira, continue colocando Ministros da Justiça do porte do atual- insípido, inodoro, incolor-, apenas porque a vaga é do PMDB. O Ministério precisa de gente competente e com força política para implantar um plano de ação que projeta o cidadão brasileiro e não que gaste seu tempo a vazar informações da Polícia Federal ou que se dedique a salvar seus cúmplices partidários- de qualquer partido- como tem acontecido. Chega de fracassos. O brasileiro não suporta mais tanta insegurança.