Chico Buarque não vai mais cantar Com Açúcar e Com Afeto para
atender as feministas- ou em autocancelamento- para fazer média já que não se
sabe quem foi a tal feminista que fez o pedido para seu silêncio. Lamentável que não estejamos enxergando a
liberdade que estamos perdendo - mesmo sendo tão livres e com direitos no
Século XXI -, o encarceramento progressivo a que estamos sendo submetidos,
engessando a existência, falseando a realidade, pois ela não se faz por
decreto, intimidação, ou vontade de outro. Chico se curva e a curva de Chico é
simbólica porque escancara quanto o discurso que parece virtuoso -apesar do terror,
totalitarismo, que esconde- pode seduzir os que preferem a covardia ou a
aparência ao verdadeiro amor a liberdade e plena e livre existência. É preciso,
no entanto, separar a verdadeira, corajosa, correta, luta feminista desse movimento identitário, midiático, de revisionismo primitivo e sem contexto. No primeiro, há
luta, avanços; no segundo, há cerceamento e arrogância por querer impor modelos
de comportamento aceitáveis a partir dos parâmetros que ele escolhe. Por fim, a incapacidade de contextualizar (não só a Arte) é um atestado de ignorância temporal - cultural e sociologicamente falando.
Certa vez perguntaram a Millôr Fernandes porque ele tinha brigado com
Chico Buarque e ele respondeu: eu desconfio de todo idealista que lucra com seu
ideal!