Há 50 anos, um
temporal em Petrópolis fez desabar a casa onde morava Cecília Eler, 55, matando
a mulher soterrada. Nesta semana Cecília Fioresi, 40, a neta, morreu sob a lama
após a forte chuva que atingiu a cidade. No intervalo entre uma morte e outra a
leniência dos poderes públicos incapazes de transformarem “estudos” e discursos
em ação. Em 2011 as chuvas mataram 918 pessoas e deixaram 100 desaparecidos na
região Serrana. Nesta última chuva a dantesca cena de dezenas de pessoas em
cima de dois ônibus tentando se salvar até serem levados pela enxurrada são
apavorantes e inimagináveis. Até o momento já há 146 mortes confirmadas. A
verdade é que a população está entregue à própria sorte pela inação do poder
municipal, estadual, federal, cúmplices morais dessas mortes. Repetidamente, em
todos país, vemos que os orçamentos aprovados para a prevenção de enchentes não
são aplicados e voltam às manchetes apenas após a perda de vidas.
Aliás, a
Lava- Jato apontou um roubo de R$4 bilhões das verbas destinadas às obras na
Região Serrana do Rio após a tragédia anterior. As promessas dos governantes
não passam de cínicas manifestações oportunistas, pois todos sabem quais são às
áreas de risco e onde as tragédias e alagamentos se repetem ano após ano. No
governo federal – para não falar do governo do Rio, uma aberração já
conhecida-o orçamento de prevenção a desastres do Ministério do Desenvolvimento
Regional foi reduzido de R$714 milhões em 2020 para R$171 milhões em 2021. Poderia
ser alegado que foi um ano de pandemia, mas não faltou verba para aumentar a
devassidão do Fundo Eleitoral de R$2,1 bilhões para R$4,9 bilhões mostrando
quais são as prioridades de nossos políticos.
O que desespera no Brasil não é o
inesperado de uma tragédia nova, mas a dilacerante repetição de tragédias já
acontecidas.