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César Oliveira

50 anos depois a mesma morte na tragédia

21 de Fevereiro de 2022 | 13h 52
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50 anos depois a mesma morte na tragédia

 Há 50 anos, um temporal em Petrópolis fez desabar a casa onde morava Cecília Eler, 55, matando a mulher soterrada. Nesta semana Cecília Fioresi, 40, a neta, morreu sob a lama após a forte chuva que atingiu a cidade. No intervalo entre uma morte e outra a leniência dos poderes públicos incapazes de transformarem “estudos” e discursos em ação. Em 2011 as chuvas mataram 918 pessoas e deixaram 100 desaparecidos na região Serrana. Nesta última chuva a dantesca cena de dezenas de pessoas em cima de dois ônibus tentando se salvar até serem levados pela enxurrada são apavorantes e inimagináveis. Até o momento já há 146 mortes confirmadas. A verdade é que a população está entregue à própria sorte pela inação do poder municipal, estadual, federal, cúmplices morais dessas mortes. Repetidamente, em todos país, vemos que os orçamentos aprovados para a prevenção de enchentes não são aplicados e voltam às manchetes apenas após a perda de vidas.

Aliás, a Lava- Jato apontou um roubo de R$4 bilhões das verbas destinadas às obras na Região Serrana do Rio após a tragédia anterior. As promessas dos governantes não passam de cínicas manifestações oportunistas, pois todos sabem quais são às áreas de risco e onde as tragédias e alagamentos se repetem ano após ano. No governo federal – para não falar do governo do Rio, uma aberração já conhecida-o orçamento de prevenção a desastres do Ministério do Desenvolvimento Regional foi reduzido de R$714 milhões em 2020 para R$171 milhões em 2021. Poderia ser alegado que foi um ano de pandemia, mas não faltou verba para aumentar a devassidão do Fundo Eleitoral de R$2,1 bilhões para R$4,9 bilhões mostrando quais são as prioridades de nossos políticos.

O que desespera no Brasil não é o inesperado de uma tragédia nova, mas a dilacerante repetição de tragédias já acontecidas. 



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