O martelo já está batido, restando, à base, o choro
regulamentar, já que a decisão teve o aval de Lula, caudliho do PT, que
concordou com a mudança na chapa do partido para concorrer ao governo: Wagner
vai continuar na "entrada do céu", o Senado, enquanto Otto Alencar
irá encarar a disputa do Executivo contra ACM Neto.
Rui Costa começou o "furdunço", ao meter o pé na
porta, por não querer ficar contando caroço de areia na praia, depois de
comandar o estado por oito anos. Assim, o resto teve de ser acomodado.
Com isso, a Bahia ficará entregue a João Leão, a partir de
Abril, com a renúncia de Rui. O choro dos demais partidos e atores – inclusive
de Lídice da Mata, sempre preterida – causará algum rebuliço, mas nada que mude
a obediência ao que já foi decidido.
Sem dúvida que é uma chapa com nomes consistentes, fortes,
com capilaridade, mas que terá de enfrentar o desgaste do longo tempo do PT na
Bahia; os resultados precários, em algum setores, como Segurança e Educação; e
o afastamento de Secretários envolvidos em denúncias e investigações policiais.
O PT abre mão da cabeça de chapa em nome da candidatura de
Lula, mas, certamente, será estranho ver o partido fazendo esforços por Otto,
quando, no passado, o ameaçava com a CPI da EBAL, antes de sua adesão.
Outro aspecto interessante será a volta do carlismo na
disputa pelo cargo de governador, afinal, Otto foi criado e formado por ACM avô
e fez carreira sob sua bênção.
Ao mudar para o adversário, Otto mais levou o carlismo para o
PT do que incorporou o petismo. Ele irá enfrentar ACM Neto, que vem de uma boa
gestão na Prefeitura de Salvador, resgatando a cidade, que andava destruída por
seus trágicos antecessores. O velho e o novo carlismo irão às urnas em lados
diferentes do ringue, mas reunidos em um mesmo berço. A Bahia caminha em
círculos.