A Câmara de Vereadores de Feira e
a Prefeitura Municipal estão submetidas a um vexame público significativo, nos
últimos meses, com a deterioração da relação institucional entre elas pela não
votação do Orçamento. A situação é lamentável porque a cidade e o eleitor
merecem mais respeito e qualificação da ação pública que exercem, afinal, é o
caro suor do trabalho dos cidadãos que gera as verbas que sustentam seu funcionamento. A crítica não se faz por partidarismo ou
antagonismo gratuito, mas pela defesa da normalidade administrativa e pelo
relevante papel que Câmara e Governo tem na interação com as necessidades do povo.
É inegável, e não deixa de ser
interessante, que a Câmara tenha adotado uma nova postura na apreciação de
matérias de grande relevância para a sociedade, a exemplo das Leis de Diretrizes
Orçamentárias. Em passado recente, os textos encaminhados pelo prefeito de
plantão eram aprovados sem a menor discussão ou emendas – era mais fácil ganhar
na Mega Sena acumulada do que aprovar uma alteração que fosse, se não atendesse
ao anseio do Executivo. Ainda que por vias tortas chegamos ao que deveria ser a
relação correta entre esses entes.
As batalhas na disputa atual
parecem, por enquanto, dar razão às alterações propostas e aprovadas em plenário,
ao contrário do que deseja a PMFS, apesar das alegações regimentais do processo
que motivou liminares na Justiça.
Isto posto, devo dizer que o que
vem acontecendo, lado a lado, ultrapassa todos os limites do aceitável. Manter
o Orçamento Municipal encarcerado tem sido uma atitude negativa e que causa
estupefação aos cidadãos. É preciso haver um limite nesta luta, ou que as
autoridades que representam o Ministério Público intervenham de maneira efetiva
(apenas assistem de longe ao drama da sociedade) para recuperarmos um mínimo de
funcionalidade nessa teratológica situação.
Capítulo à parte, o presidente da
Câmara, Fernando Torres, está exagerando em seu conceito de independência do
Legislativo. Extrapola tanto que a sensação dos que assistem aos seus discursos
é, nitidamente, de que ele deseja mesmo é travar o Governo, sabe-se lá por
quais razões. A acrescentar, a forma como Fernando vem conduzindo a
Presidência, com ameaças de estapear colegas, xingamentos, ofensas e acusações
sem comprovação. Apesar da positiva medida de devolução de recursos da Câmara,
não se pode deixar de lembrar, que sob seu comando aconteceu a absurda rejeição
do projeto da atualização do Conselho do Fundeb. Os vídeos dos discursos que
circulam nas redes acabam por envergonhar todos os cidadãos já que o Presidente,
tem emendando um atrito em outro sempre alegando estar apoiado pelo “grupo dos dez”, que estaria avalizando estas ações,
esquecendo que a eleição dependo do voto do eleitor.
O Prefeito Colbert Filho, por sua
vez, precisa encontrar uma interface que permita sua relação com a vereança sob
o risco do engessamento administrativo. É sua responsabilidade. Corre a boca
pequena- e já houve até lágrimas no púlpito- que o prefeito estaria se
recusando a dar a quantidade de cargos reivindicados pelos vereadores – e
fala-se em 200, 300. Como esta crise não ocorria no passado abre-se as
especulações sobre a mudança de comportamento. A prática, se confirmada, seria um
desmando, afinal, vereadores são eleitos para defender o povo, cuidar da
cidade, e não para abusar dos cofres públicos. Por outro lado, indicações de
vereadores devem ser consideradas, afinal, são solicitações reais da população,
mas há uma distância monumental entre obras e transformar a máquina pública em
cabide eleitoral.
Acima de tudo e de todos deve
estar Feira de Santana.