Acomodado em berço esplêndido, o governador do Estado esqueceu-se
de preparar seu sucessor. Na undécima hora, no apagar das luzes, botou na mesa
o desejo de ser candidato a Senador, deslocando Otto para a candidatura ao
governo. Só faltou combinar com os Russos, como diria Garrincha.
Dizem que a falta de dinheiro – o que é estranho – teria influenciado a
desistência dos apontados
para a disputa. Wagner preferiu ficar na maciota que já está e Otto voltou a
ser candidato ao Senado, disputa para a qual se sente mais estruturado. Com
esse triplo carpado de última hora, o vice, João Leão, ficou de fora e rasgou
as paredes a unha, porque não vai mais botar as garras na estrutura do governo.
Rui vai ter de segurar o pepino até o final – certamente, de
mau humor e pouca vontade –, providenciar dinheiro para pagar os prestadores da
Saúde que estão sem receber e engrossar o couro para as pancadas que irá
receber durante a campanha. Não bastasse isso, Rui ficará sem mandato e
político sem mandato bebe café frio. Além de ficar exposto e sem foro privilegiado,
por via das dúvidas.
Com a desistência do time A, especula-se a escalação de
alguém do time B, com o PT mantendo a cabeça de chapa. Os apontados até aqui
não têm projeção, capilaridade, pela Bahia, o que desenha um desastre para o
partido. A esperança é que Lula – caso a maré do ex-condenado esteja boa –
carregue o candidato que pegar o bastão depois de todos terem recusado.
Nem sempre é possível operar milagres. O problema de ter um
candidato fraco é que isso alimenta uma incontrolável vontade de trair, ainda
mais nessa Bahia em que todos vieram do mesmo berço.