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César Oliveira

Sobrou para Rui Costa

08 de Março de 2022 | 22h 00
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Sobrou para Rui Costa
Foto: Paula Fróes/GOVBA

Acomodado em berço esplêndido, o governador do Estado esqueceu-se de preparar seu sucessor. Na undécima hora, no apagar das luzes, botou na mesa o desejo de ser candidato a Senador, deslocando Otto para a candidatura ao governo. Só faltou combinar com os Russos, como diria Garrincha.

Dizem que a falta de dinheiro – o que é estranho – teria influenciado a desistência dos apontados para a disputa. Wagner preferiu ficar na maciota que já está e Otto voltou a ser candidato ao Senado, disputa para a qual se sente mais estruturado. Com esse triplo carpado de última hora, o vice, João Leão, ficou de fora e rasgou as paredes a unha, porque não vai mais botar as garras na estrutura do governo.

Rui vai ter de segurar o pepino até o final – certamente, de mau humor e pouca vontade –, providenciar dinheiro para pagar os prestadores da Saúde que estão sem receber e engrossar o couro para as pancadas que irá receber durante a campanha. Não bastasse isso, Rui ficará sem mandato e político sem mandato bebe café frio. Além de ficar exposto e sem foro privilegiado, por via das dúvidas.

Com a desistência do time A, especula-se a escalação de alguém do time B, com o PT mantendo a cabeça de chapa. Os apontados até aqui não têm projeção, capilaridade, pela Bahia, o que desenha um desastre para o partido. A esperança é que Lula – caso a maré do ex-condenado esteja boa – carregue o candidato que pegar o bastão depois de todos terem recusado.

Nem sempre é possível operar milagres. O problema de ter um candidato fraco é que isso alimenta uma incontrolável vontade de trair, ainda mais nessa Bahia em que todos vieram do mesmo berço.



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