A existência da Operação Lava-Jato foi um hiato no combate a corrupção em mais de 500 anos de impunidade, tolerância e cumplicidade judicial com o desvio de recursos públicos. O sistema jurídico, com recursos ao infinito, chicanas processuais, prisão após transitado e julgado e o foro privilegiado, tornam o país um ambiente seguro para o roubo, a corrupção, o tráfico de influência.
Ao prender
políticos, empresários poderosos, modificar o operacional jurídico que
enriquece- legal e ilegalmente- muitos figurões do sistema, a Operação tornou-se uma
inimiga coletiva. Não foi à toa que foi dilapidada com o aval de Bolsonaro que
nomeou um inimigo frontal da Operação como Augusto Aras- o pequeno- para a PGR.
Ele ainda não disse a que veio além dessa destruição. Um homem cujo legado será
uma história vexaminosa de omissão e declarações bizarras como a que fez sobre
as mulheres “terem o prazer de escolher as cores das unhas”. Ao mesmo tempo,
apesar de todo dinheiro recuperado, os Tribunais ditos Superiores da Justiça iniciaram
um movimento organizado, sistemático, de cancelar sentenças, anular processos,
transferir investigações, de modo a permitir que praticamente todos os acusados,
delatados, sentenciados, em mais de uma instância, fossem postos em liberdade
com direitos políticos recuperados. A pá de cal dessa bizarra leniência foi a
liminar que deu direito a Eduardo Cunha- cassado por seus pares na Câmara- a concorrer
eleitoralmente.
É terrível a perseguição que a Lava-Jato sofre, principalmente
a seus dois principais líderes: Deltan Dallagnol e Sérgio Moro. Uma Justiça que
se diz cega, mas que prefere enxergar o que deseja e utilizar seu poder para
ajudar a destruir o futuro dessa nação.