Sim, tivemos que andar atento com
os amores, tomados de irreversíveis fragilidades, mas não é hora de fazer
balanço, nem de ajustes de contas, afinal, do balacobaco mesmo é botar um
champanhe na geladeira, celebrar com os parceiros, de calcinha ou cueca nova,
desembrulhar o ano novo recém-entregue e passar uma noite inocente de
propósitos.
É vero, companheiro, que a luta
foi dura, que ninguém facilitou sua vida, porque cada um estava tentando dar
conta da sua, mas na hora do vamos ver, estamos todos aí pagando em suor a
felicidade, brindando a oportunidade de mudança e disposto a dar um apoio aos
que precisam. Sim, acredite, existe muita gente por aí arrastando a asa da
solidariedade e fazendo muita coisa boa. Este mal sem vergonha, que vira
notícia, não merece nosso respeito. Gente de verdade é você que rala o coco,
mas não perde o rebolado e segue em frente sem perder o rojão. Bote uma beca de
respeito, avise geral que a esperança está no ar porque todos merecemos uma
noite digna. Você é o artista do seu show, portanto, merece acender todos os
fogos de artifícios de sua imaginação.
Agradeçamos, pois temos a chance
de recomeçar, polir as pedras, sacudir a poeira das agonias e cultivar desertos
como um pomar às avessas. Vamos desapegar dos que influenciam o rumo ao nada, do
exacerbado culto ao individualismo e da paranoia das redes sociais. Inaugure-se
para o que vem por aí, sem nunca se dar por obra pronta. Faça concessões - é o
primeiro dia do ano- e precisamos de leveza na alma. Deixe o ano vir e vamos
ver qual seu borogodó. Abra-se para os amigos e a família, receba todos que
puder, delete rancores e celebre como se não houvesse amanhã. Desarme-se,
afinal, é réveion. Com reverência, sem vassalagem, torne serial só aquilo que
for amor.
Feliz Ano Novo! Meu afeto e obrigado pela
companhia.