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Valdomiro Silva

A redução da escala 6 por 1: remédio amargo, mas necessário

VALDOMIRO SILVA - 01 de Junho de 2026 | 17h 31
A redução da escala 6 por 1: remédio amargo, mas necessário
Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Durante uma década, fui patrão, na área do jornalismo. Como sócio-majoritário e diretor-geral do inesquecível Jornal Tribuna Feirense, assinei a carteira de cerca de 200 trabalhadores das mais diversas áreas, em mais de uma década de gestão. Aquele diário, que está na história da mídia impressa de Feira de Santana, chegou a contar, em seus melhores momentos, com 37 funcionários de carteira assinada e mais oito estagiários.

Um jornal é feito por várias especialidades profissionais. Além dos jornalistas, que atuam como repórteres, editores e revisores, temos os fotógrafos e diagramadores. Estamos falando da redação. Mas há, ainda, necessidade de pessoal das áreas gráfica e administrativa, motoristas, entregadores, cobradores, vendedores de assinaturas e publicidade (departamento comercial).

A marca permanece viva graças à persistência do médico e jornalista César Oliveira. Quando desisti da empresa, ele comprou as minhas ações, assumiu o barco e não deixou o sonho morrer. Manteve o veículo, por algum tempo, circulando nas bancas e entre os assinantes, já de volta à condição de semanário.

Com a Internet cada vez mais sufocando os impressos, a Tribuna passou a informar e opinar sobre Feira, o Brasil e o mundo como um portal, este em que vos escrevo. Bem, mas a saga da Tribuna não é o assunto de hoje. Desejo levar ao nosso inteligente público um ponto de vista sobre a polêmica e iminente fim da escala 6 por 1 do operariado brasileiro – trabalho seis dias na semana, folga aos domingos.

Relembrei a minha experiência de empregador, apenas para registrar, junto ao respeitável público, que conheço, razoavelmente, as duas faces da moeda, pois também atuei como funcionário da iniciativa privada, por, pelo menos, 20 anos.

Reduzir a carga horária semanal, de 44 para 40 horas, evidentemente, é algo que preocupa a classe patronal. É compreensível, diante de uma mudança que vai impactar as empresas. Todavia, porém, entretanto, modestamente, vejo como algo necessário. Segundo as autoridades em saúde dos trabalhadores, que não preciso mencionar aqui, repercutirá, de forma favorável, na qualidade de vida destes.

O empregador, no Brasil, é sacrificado com impostos elevados, além de arcar com despesas adicionais ao salário, para manter os próprios funcionários. Indiscutível. Não é razoável, contudo, deixar de proporcionar condições mais humanas ao proletariado, em função da absurda carga tributária que o governo impõe a quem produz, gera emprego e renda.  Este é um outro problema, muito sério e que também deve ser reparado, mas em separado.

Há os que defendem, legitimamente, pois o pensamento é livre, que o governo não deveria intrometer-se nessa questão e deixar que patrões e empregados decidam. Até existem situações em que isto se torna possível. Mas imaginar que o empregador, no Brasil, espontaneamente, vai reduzir a carga horária de seu funcionário, não dá para crer. É, sim, algo que, para ser universalizado, depende mesmo da Emenda Constitucional que está sendo votada.

Dizem que é uma ação meramente eleitoral, do presidente Lula, em seu esforço pela reeleição. Pode ser que esta seja uma de suas intenções. Este é o tipo de medida que deve ser adotada em início de gestão, para não deixar transparecer a intenção de captar o voto. Mesmo assim, tardiamente aprovada, como deverá ser, tem inegável valor.

É possível, sim, que, neste período de adaptação, ocorra desemprego em vários segmentos, risco que parece inevitável enfrentar. O empresariado brasileiro, porém, bravo e criativo, haverá de compreender que a medida, em princípio dura, é extremamente necessária para que os seus funcionários possam desfrutar de um descanso mais racional. E, não tenho dúvida, vai buscar as necessárias adequações. Em um futuro próximo, estaremos adaptados.



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