O jogo da política mudou. O diagnóstico de que o ciclo do PT esgotou-se e que a crise econômica, as seqüelas da corrupção, a incompetência administrativa e falta de habilidade política de Dilma são um caso sem solução, deu asas ao PMDB, que passou a mirar a Presidência.
PMDB II
Seja pela via do impeachment jogando o governo no colo de Temer, menos provável, mas não impossível; seja pela via do cerco ao PT e transformação da Presidente em refém e marionete do Congresso, o PMDB, com a eficiência que faltou aos tucanos em todos estes anos, está no momento com a faca e o queijo na mão. E o PMDB nunca agüentou ver um queijo dando sopa. As três derrotas seguidas de Dilma em votações na Câmara, com o PT atordoado, no canto do ringue, é um retrato claro da situação. Eduardo Cunha, eficiente, dedicado, articulador, gênio do mal, faz o quer, hoje, com o governo.
PMDB III
Temer não é páreo para Renan e Eduardo Cunha. Melhor continuar fazendo versos e se dedicando à bela e nova esposa. O PMDB vai ao poder, provavelmente, com Eduardo Paes (prefeito do Rio), em 2018 ou, sonho pessoal, com o próprio Eduardo Cunha, apesar dos seus infinitos processos na justiça, 50 deles, inclusive, contra jornalistas.
PMDB IV
O sinal inequívoco do processo é a mudança de discurso do partido. Vejam que em todas as declarações, nos jornais, blogs, dos líderes, eles dizem que o PT quis aniquilar o PMDB e por isso estão reagindo. É o discurso preparando e justificando o enfrentamento, dando ar de rejeição e indignação com o PT, como se não fossem cúmplices e nunca o tenha parasitado.
PMDB V
Outro sinal, que faz parte da campanha pessoal de Eduardo Cunha, é a criação de uma agenda positiva. Em menos de um mês já colocou os deputados para trabalhar mais um dia (agora tem votação três dias), anunciou o andamento da reforma política (contraria a vontade do PT, aliás), ameaça derrubar a correção da tabela do imposto de renda. Enfim, está mostrando serviço. Pode esperar que mais medidas virão. Afinal, Eduardo Cunha é hoje o homem mais poderoso da República.
PMDB VI
Evidentemente, falta, apenas, como na piada de Garrincha, combinar com os russos.