Maratonista agora corre atrás de patrocinadores
8 de maio se tornou um dia inesquecível para a maratonista feirense Graciete Moreira Carneiro Santana. Foi quando ela recebeu o comunicado assinado pela CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo) confirmando que será uma das três integrantes do time feminino brasileiro que vai disputar a prova que encerra as Olimpíadas do Rio de Janeiro, no dia 14 de agosto. Será a primeira vez que um atleta de Feira de Santana participa de uma Olimpíada. Antes mesmo de alinhar naquela que é tida como a mais nobre das provas olímpicas, seja qual for seu resultado, Graciete definitivamente entrou para a história do esporte local.
Foram semanas de angustiante espera por parte da atleta e do marido, Domingos Carlos, que é o seu treinador. Em fevereiro, na Maratona de Sevilha, na Espanha, ela cravou 2h38min33s, tempo que preliminarmente a credenciou ao Rio 2016. Foi a brasileira melhor colocada na prova. Desde então, ficou secando as outras que buscavam o sonhado índice olímpico. As companheiras classificadas serão Adriana Aparecida e Marily dos Santos.
Ao receber a carta do Comitê Olímpico, revelou, os batimentos cardíacos aumentaram, sem que ela precisasse correr. A homologação do tempo tirou um peso dos ombros franzinos da atleta.
Admite que nunca acreditou que faria parte do time brasileiro e que depois da prova na Espanha manteve-se atenta porque imaginava que seu índice seria batido a qualquer momento. “Todos os atletas são de ponta e de alto rendimento. Daí o temor de ficar fora da maratona”, conta, aliviada.
Diferente de outros competidores, a equipe de Graciete é formada por ela e pelo marido. Sem recursos financeiros e sem estrutura de campeã. Contrariando as expectativas, ela chegou lá. “Enquanto os outros têm equipes, eu tenho Domingos, que é psicólogo e nutricionista para mim”, elogia.
Autodidata, Domingos Carlos disse que a atleta vai fazer todo o treinamento pré-maratona em Feira, por opção dela. Vai para o Rio de Janeiro dez dias antes da prova, para uma espécie de adaptação e participar das orientações finais para a equipe. “Acredito que ela vai chegar melhor fisicamente do que quando disputou a Maratona de Sevilha”, estima.
No segundo semestre do ano passado, Graciete disputou quatro maratonas, além de corridas de menor distância. E ainda vai correr outras até o início do treinamento específico para Rio 2016.
Agora é treinar focada na prova olímpica, para chegar ao Rio no pico da forma. Domingos Carlos disse que diariamente a atleta corre entre 17 e 20 quilômetros. Mas a intensidade dos treinos será aumentada a dois meses da maratona olímpica, aumentando para até 35 quilômetros. “Se fizermos um treinamento correto tenho todas as credenciais para fazer uma boa prova”, aposta.
Na sala, na garagem e num quartinho dos fundos na casa simples e praticamente sem móveis onde mora no 35º BI, dezenas de troféus, que ganhou ao longo dos últimos anos, se tornaram decoração. A corredora disse ter orgulho de cada um deles. Defende as cores do Cruzeiro, clube que investe em talentos das pistas, do qual recebe uma ajuda de custo. Ainda corre atrás de patrocinadores que possibilitem alimentação adequada, com os suplementos ideais e principalmente a tranquilidade para entrar no circuito sem se preocupar com a estabilidade financeira. “Praticamente a gente vive do que ganha nas corridas”. E as vitórias vêm acontecendo. “A manutenção de um maratonista é cara”, salienta.
Ela disse estar consciente do feito histórico que protagonizou. “Chegar lá, na linha de largada, já foi um triunfo pessoal grande. E vou dar o melhor de mim na prova. Não prometo medalha, mas vontade para superar os meus limites”, afirmou Graciete, do alto dos seus pouco mais de 1,5 metro e atuais 42 quilos.