Tribuna Feirense

  • Facebook
  • Twiiter
  • 55 75 99801 5659
  • Feira de Santana, domingo, 16 de janeiro de 2022

Glauco Wanderley

Governo não sabe dizer quantas árvores sairão da Getúlio Vargas

06 de Abril de 2015 | 21h 09
Governo não sabe dizer quantas árvores sairão da Getúlio Vargas

"Quantas árvores serão derrubadas na Getúlio Vargas?", quis saber o radialista Jorge Bianchi, do secretário de Meio Ambiente, Roberto Tourinho. O secretário não soube responder e recomendou que se perguntasse à secretaria de Planejamento, mais diretamente envolvida nos projetos para construção do BRT.

A entrevista, nesta segunda-feira, se deu em função de um protesto que ocorreu na avenida Getúlio Vargas domingo, iniciativa de um movimento que se intitulou “Atitude popular pela preservação da vida”.

Como antídoto à manifestação, a prefeitura divulgou nota ainda no sábado, para, em resumo, classificar como infundados os temores ambientais relativos à mais arborizada avenida da cidade. Nota assinada justamente pelo diretor de parques e jardins, Deodato Peixinho e pelo próprio secretário que não soube dizer quantas árvores serão retiradas.

Mais uma vez, como desde o começo, a comunicação errática do governo sobre o projeto só faz aumentar a desconfiança de quem olha de fora. Se nem o de dentro está suficientemente informado, como aceitar passivamente que tudo na verdade vai resultar no plantio de mais árvores, como alega o governo?

Para fazer a defesa, Tourinho usou o documento que há meses é de domínio público, um projeto paisagístico onde se diz que em todo o trajeto do BRT serão mantidas 1.464 árvores, retiradas 136, plantadas 352 pequenas, 145 médias e 9 grandes. Neste mesmo documento, não se especifica onde mesmo isto ocorrerá. “As pessoas não têm as informacoes necessárias”, disse Tourinho. Nem ele. E ao que parece, ninguém.

Contra o projeto do BRT às vezes são ditos absurdos monumentais. Mesmo assim, encontram alguns ouvidos sensíveis. O governo sempre colaborou para esta incompreensão (basta lembrar que o prefeito José Ronaldo e o secretário Carlos Brito chegaram a declarar que nenhuma árvore seria derrubada).

Ao se recusar a debater previamente uma intervenção dramática na principal via da cidade, o governo apostou na omissão da maioria.

O protesto de domingo foi pequeno. Outro já foi marcado para o próximo dia 9 de maio, um sábado. Se cair no gosto da população, vira no mínimo um risco político.

Foto de Ney Silva, do Acorda Cidade



Glauco Wanderley LEIA TAMBÉM

Charge da Semana

CHARGE DO BOREGA

As mais lidas hoje