Escritórios de despachantes baixam as portas no final da tarde, tentando fugir das picadas
Rodeado por um canal de esgoto e com áreas de mato, o conjunto Jomafa é terreno fértil para os mosquitos, que interferem na rotina de moradores e comerciantes. A situação se agrava com o acúmulo de carros, a sujeira e o mato alto do complexo policial Investigador Bandeira.
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Para Marcio Lino, presidente da Associação dos despachantes, tipo de comércio muito presente ao redor do Complexo Policial, a infestação traz prejuízos econômicos severos. “Tenho 9 funcionários, a maioria já pegou zika e dengue, estamos tentando solucionar isso pra que um próximo não venha adoecer e eu também não fique sem funcionário na empresa”, reclamou. Com a sujeira do Complexo, surge também o risco de contaminação por ratos, que ele garante serem bastante comuns na área.
Em relação aos mosquitos, no final da tarde a situação piora. Quem não tem ar condicionado, tem que fechar as portas mais cedo. “Eu tenho mais de 30 dias com dores e fiquei pelo menos dois dias sem conseguir trabalhar por causa da chikungunya. Até hoje sinto dores. Tem dias piores que outros e há dias em que a maioria precisa fechar as portas antes das 18h. Já fizemos muitos abaixo assinados, mas nunca nada foi feito”, comenta Raildo Castro que está doente, e teve também o irmão Sidney Castro atingido pela chikungunya. Ele trabalha com uma raquete na mesa para matar mosquitos.
Para os moradores, que permanecem muito além do horário comercial, é bem mais difícil. Iranice Simões afirma que sofre bastante com os mosquitos. O Aedes Aegipty, transmissor da dengue, chikungunya e zika, causou um estrago na família. “Meu esposo pegou chikungunya e minha filha também. Devido aos carros abandonados, fica juntando água ali no Complexo. À tarde é muito complicado trabalhar, porque tem muito mosquito, o foco é demais. Afeta todo mundo aqui na região”, afirma.
“Ninguém consegue dormir por causa das muriçocas, o governo faz tanta propaganda pra combater este mosquito mas não vejo fazer nada”, reclama o morador Valtemir Lima.
O mosquito botou até morador para correr. “Morei no bairro prisioneira na minha própria casa. Sempre ficava tudo fechado. Tive meus filhos lá e eles pequenos não podiam sair em determinados horários porque as muriçocas atacavam, eles viviam com repelente. Mesmo durante o dia tinha muito mosquito, tinha tela em toca a casa mas mesmo assim era um transtorno. Essa era a realidade de todas as casas no condomínio onde morei, todas as casas fechadas a maior parte do tempo”, comenta Lay Ribeiro que se mudou há pouco menos de um ano.
No dia em que a Tribuna Feirense esteve no Jomafa, passou um carro da Funasa com o equipamento do fumacê, enviado pela Dires. Segundo o operador Carlos Milton, eles foram ao Complexo a pedido do delegado regional João Uzzum.
O delegado disse à Tribuna Feirense que a limpeza da área “está sendo providenciada”. O Detran programou uma série de leilões na próxima semana para o esvaziamento dos pátios. Mas nenhum será em Feira. O primeiro foi em Teixeira de Freitas ontem (11) e os demais serão em Conceição do Coité (15), Alagoinhas (16), Juazeiro (18) e Irecê (19).