Um estudo do Instituto D’Or de Ensino e Pesquisa (Idor), realizado em parceria com o Hospital São Rafael, em Salvador, detectou um caso de reinfecção do novo coronavírus, no Brasil, com uma mutação análoga à que foi encontrada na África do Sul. A nova cepa, a exemplo da encontrada, recentemente, no Reino Unido, também tem maior poder de contágio que a SARS-CoV-2, variante que deu origem à atual pandemia de Covid-19, no fim de 2019.
De acordo com o G1, o caso foi confirmado pelo Governo do Estado. A pesquisa informa que esse é o primeiro caso de reinfecção provocada por essa mutação, no país. A reportagem informou que tentou contato com o Ministério da Saúde, mas não obteve resposta, até o fechamento da matéria. O órgão não havia notificado, anteriormente, casos de reinfecção com a variante que circula na África do Sul, apenas com a cepa inicial, o primeiro no dia 9 de dezembro de 2020.
A variante sul-africana foi detectada em uma paciente soteropolitana, de 45 anos e sem registro decomorbidades. Conforme o Idor, na segunda contaminação, identificada em 26 de outubro de 2020, a mulher teve sintomas mais severos e vem sendo acompanhada pelos pesquisadores da instituição. A primeira ocorreu no dia 20 de maio do no passado.
Segundo o G1, os dois diagnósticos foram confirmados a partir de testes RT-PCR, considerados referência porque detectam a infecção a partir de material coletado pela garganta e pelo nariz do paciente, identificando se há contaminação no momento do exame. Quatro semanas após a segunda confirmação, a paciente foi submetida a um teste de IGg, exame sorológico que comprova se há a presença de anticorpos, gerados após a contaminação.
MUTAÇÃO – A variante sul-africana que contagiou a paciente baiana é denominada E484K. Conforme o site, a descoberta da pesquisa do Idor foi publicada em versão “preprint”, isto é, uma pré-publicação, e aguarda revisão da revista científica The Lancet Infectious Diseases, uma das mais prestigiadas do mundo.
O doutor Bruno Solano, pesquisador do centro, explicou que esse caso de reinfecção foi confirmado por meio do sequenciamento genético do vírus. “Trata-se do primeiro caso de reinfecção por SARS-CoV-2 no estado da Bahia, confirmado por sequenciamento. Foi observada na sequência genética do vírus presente no segundo episódio a mutação E484K, que é uma mutação identificada originalmente na África do Sul”, disse.
A E484K faz parte de um grupo de variantes da Covid-19 associado ao aumento da infecciosidade. Ao G1, Solano disse que essa mutação preocupa, porque pode dificultar a ação de anticorpos do coronavírus. “Tem causado muita preocupação no meio médico, pois ela pode dificultar a ação de anticorpos contra o vírus. Esta mutação foi recentemente identificada no Rio de Janeiro, mas é a primeira vez, em todo o mundo, em que é associada a uma reinfecção por SARS-CoV-2”, ressaltou.
IDENTIFICAÇÃO – O mapeamento da cepa foi realizado a partir do isolamento dos vírus em laboratório. Os pesquisadores fizeram a análise genética das variantes do coronavírus encontradas na paciente, no primeiro e no segundo episódios de infecção, para compará-las entre si.
Segundo o G1, os cientistas também cotejaram a descoberta com outras sequências genéticas de vírus isolados no Brasil e em outros países. Foi a partir desse estudo que eles concluíram que a paciente baiana apresentou, em um intervalo de 147 dias, dois episódios de Covid-19, cada um provocado por vírus de linhagens diferentes.
O grupo de pesquisa do Idor segue investigando outros casos suspeitos de reinfecção, com a finalidade de monitorar a presença desta e de outras eventuais variantes genéticas, que podem estar em circulação no Brasil.