No último domingo (17), o titular
do Ministério da Saúde, Marcelo Queiroga, anunciou que publicará norma para
decretar o fim do estado de emergência de saúde pública em decorrência da Covid-19.
A decisão do Governo Federal, no entanto, vem sendo alvo de críticas.
Nesta terça-feira (19), o Conselho Nacional de Secretários de
Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde
(Conasems) enviaram ofício à pasta questionando o “fim abrupto” da pandemia. De acordo com a Agência
Brasil, as entidades veem a medida com preocupação. Elas entendem que há um
conjunto de leis, regras e políticas públicas vinculadas a essa situação, que
afetam estados e municípios.
Outro impacto negativo mencionado pelos conselhos é o fato de
haver leis e decretos estaduais e municipais baseados nessa condição, que
teriam de ser ajustados e atualizados. Eles enfatizam que o enfrentamento da
pandemia envolveu ampliação de políticas, celebração de contratos com
fornecedores e contratação de profissionais.
O documento emitido pelo Conass e pelo Conasems ressalta que
tantos reajustes não podem ser efetivados em tão pouco tempo. “É imperativa a
readequação dos serviços e o remanejamento dos profissionais, além da adequação
de contratos já celebrados e que estão em andamento, o que demandará
considerável esforço dos municípios e dos estados, o que não poderá ser
concluído em curto espaço de tempo”, diz o texto.
As entidades também lembram que a pandemia não acabou. Em
função disso, alertam que a manutenção de políticas públicas para combater a
circulação do vírus, para ampliar a vacinação e para mitigar novas infecções
ainda são necessárias. “Sob o risco de desassistência à população, solicitamos
ao Ministério da Saúde que a revogação da Portaria MS/GM nº 188, de 03 de fevereiro de 2020,
estabeleça prazo de 90 (noventa) dias para sua vigência e que seja acompanhada
de medidas de transição pactuadas, focadas na mobilização pela vacinação e na
elaboração de um plano de retomada capaz de definir indicadores e estratégias
de controle com vigilância integrada das síndromes respiratórias”, defendem.
À Agência Brasil, o Ministério da Saúde disse que “mantém permanente diálogo com estados e municípios e reforça que nenhuma política pública será interrompida com a medida”. A pasta afirmou, ainda, que entende que “o cenário epidemiológico permite o encerramento da Espin [Emergência de Saúde Pública de Interesse Nacional], além da alta cobertura vacinal e a capacidade de resposta e assistência do Sistema Único de Saúde (SUS)”.