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  • Feira de Santana, quinta, 09 de julho de 2026

André Pomponet

Mulheres com deficiência sofrem mais exclusão

André Pomponet - 09 de Julho de 2026 | 10h 04
Mulheres com deficiência sofrem mais exclusão
Crédito: Agência Brasil

Em texto anterior tratou-se, neste espaço, da situação da mulher no mercado de trabalho na Feira de Santana. As informações apresentadas foram do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE. Retoma-se o tema, abordando novas informações do rico acervo levantado pela instituição, que está acessível à população e, sobretudo, àqueles que formulam políticas públicas, no geral, e à classe política, em particular.

Resgatando uma informação fundamental do texto mencionado, mostrou-se que, na média, as mulheres são mais qualificadas, mas contam com salários menores que os dos homens. Pois bem: a média geral na Princesa do Sertão, para elas, correspondia a R$ 1.889,04 em 2022; para os homens, alcançava R$ 2.386,38. O salário médio delas, portanto, correspondia a 79,15% dos rendimentos masculinos.

Indiscutivelmente os homens também tem mais acesso ao mercado de trabalho. Entre eles, 60,2% estavam ocupados e 39,8% não; já entre as mulheres a taxa está praticamente invertida: 41,3% delas tem ocupação e 58,7% não. O IBGE considerou, no levantamento, pessoas com 10 anos ou mais de idade.

As mulheres com deficiência, por sua vez, enfrentam muito mais obstáculos na Princesa do Sertão. Em termos de escolarização, 59,3% delas não tem instrução ou apenas o nível fundamental incompleto; 11,4% tem fundamental completo e médio incompleto; 23,6% concluíram o ensino médio, mas não o ensino superior; e somente 5,6% têm superior completo. Para efeito de comparação, 25,7% das mulheres sem deficiência não tem nível fundamental completo e 20,1% dispõem de nível superior concluído.

Mulheres com deficiência costumam viver menos com companheiros que as pessoas sem deficiência e, até mesmo, que os homens com deficiência. Entre eles, 55,7% convivem e, entre elas, 36,1%. Entre pessoas sem deficiência, 59,5% dos homens e 50,4% das mulheres convivem com companheiros.

Os números mostram, portanto, que a condição de pessoa com deficiência, sem companheiro(a), alcança muito mais mulheres do que homens. Entre eles, a propósito, a diferença é de discretos 3,8% entre quem tem e quem não tem deficiência.

Uma dificuldade geral, que afeta mais as mulheres, é a responsabilidade de liderarem sozinhas, sem cônjuge, lares com filhos e/ou enteados. Na Feira de Santana, em lares com essa situação, a responsabilidade recai sobre as mulheres em 89,8% dos casos e sobre apenas 10,2% dos homens. Cenário muito mais confortável para os homens, destaque-se.

Como se disse acima, os números apurados no Censo 2022 oferecem farta sinalização para a elaboração de políticas públicas. Indicam questões a serem resolvidas e, de quebra, públicos-alvo a serem contemplados, reduzindo desigualdades. Chega a ser irônico que, a despeito da volumosa disponibilidade de informações, o debate político é rasteiro, estéril e direcionado pela gritaria dos trogloditas...





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