Mães de crianças com Doença Falciforme participaram de um
momento de diálogo sobre autocuidado, na última sexta-feira (6). Promovida pelo
Programa Municipal de Apoio à Pessoa com Doença Falciforme, órgão mantido com
recursos próprios da Prefeitura de Feira de Santana, a roda de conversa destacou
a importância dos cuidadores voltarem o olhar para si.
Outro assunto abordado foi o medo de perder os filhos para a
doença. Recentemente, uma criança acompanhada pelo programa faleceu, causando
insegurança nos pais dos pacientes. “O cuidado se estende não apenas para os
pacientes, mas também para os familiares. Por isso, realizamos essa roda de
conversa, conscientizando as mães de que a perda não é algo que está no
controle delas e, mesmo tendo um diagnóstico crônico, essas crianças devem ser
estimuladas em outras áreas da vida”, explicou a psicóloga Tatyane Varjão.
A profissional destacou que, por estarem totalmente
disponíveis e atentas às questões relacionadas aos filhos, muitas vezes, as
mulheres acabam se negligenciando. “Se essa mulher adoecer, não estiver bem,
quem vai cuidar dessa criança? Chamamos a atenção para esse autocuidado, para
que a mulher saia desse foco e busque maneiras de ter uma qualidade de vida
melhor”, observou Tatyane.
Mãe de gêmeas de 7 anos, ambas assistidas pelo órgão
municipal, Áurea Marques Boaventura destacou a importância do acompanhamento psicológico
para os pais de crianças portadoras da doença. “Aprendi a lidar com a questão
do perder. Fiquei pensando no pior, principalmente pelo que aconteceu, mas cada
um tem o seu tempo, sua vida. Ao conversar com a psicóloga, comecei a me
cuidar, pois estava me deixando levar pelas situações, esquecendo meu lado
mulher, meu lado espiritual”, avaliou.
Em Feira de Santana, 560 pacientes são atendidos pelo
programa municipal, cuja sede está localizada na Rua Prudente de Morais, 170,
Ponto Central. A unidade oferece tratamento multidisciplinar, realizado por
médicos, enfermeiros, nutricionista, psicólogo e assistentes sociais.
O serviço inclui, ainda, consultas com hematologista, hematopediatra, clínico geral e exame de doppler transcraniano, que avalia, por ultrassonografia, a velocidade do fluxo sanguíneo nas principais artérias do cérebro, podendo reduzir as chances de Acidente Vascular Cerebral (AVC).