A Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) emitiu, nesta
terça-feira (10), um alerta informando sobre a detecção de uma bactéria
resistente ao uso de antibióticos. O micro-organismo foi identificado entre
janeiro e março deste ano, em três unidades hospitalares de Salvador.
Coforme o portal de notícias G1 BA, a Sesab não divulgou os
nomes dos hospitais. O órgão também não disse se os mesmos integram a rede
pública ou privada de saúde. Apenas pacientes internados e equipes que
trabalham nas unidades de saúde correm risco de infecção. A população, em
geral, não é afetada.
Denominada Enterococus faecium, a bactéria, em condições
normais, é encontrada no intestino humano. O tratamento é realizado por meio de
antibióticos, mais especificamente a Vancomicina, mas o problema é agravado
quando o agente infeccioso se torna resistente aos medicamentos.
De acordo com o infectologista Antônio Bandeira, é importante
que as unidades de saúde fiquem em alerta para o surgimento de novas cepas. “A
grande situação que implica nisso é a possibilidade de que os hospitais possam
viver um surto de Enterococus resistentes à Vancomicina”, advertiu.
Ao G1, a infectologista Clarissa Cerqueira disse que a maior preocupação
é com pacientes que apresentam problemas de imunidade. “Aumenta a morbidade do
paciente, aumenta muitas vezes o tempo de internação, porque ela pode causar
infecção intestinal, urinária, infecção no sangue, no coração”, detalhou.
O Núcleo Estadual de Controle de Infecção da Sesab também enviou
uma nota técnica recomendando uma série de medidas para prevenir a
contaminação. Entre as medidas de controle, o órgão salientou que é importante:
higienizar constantemente as mãos; limpar e desinfetar o ambiente com produtos
à base de hipoclorito e álcool a 70%; manter pacientes contaminados em quartos
separados; além de ter uma equipe exclusiva para atender pessoas infectadas.
O documento diz, ainda, que todos os casos suspeitos ou
confirmados devem ser notificados ao Núcleo de Controle de Infecção. E levanta
a hipótese de a pandemia de Covid-19 ter criado ambiente propício ao uso
indiscriminado de antibióticos. Essa condição, segundo especialistas, favorece
o aparecimento de organismos de alta resistência. “A gente tem a ideia de que o
antibiótico protege, mas o uso em larga escala muda toda a flora de um hospital
e a flora do hospital fica selecionada por bactérias resistentes”, explicou José
Mário Teles, médico intensivista.