A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) revogará as
decisões de interdição e proibição da comercialização de lotes de anti-hipertensivo
contendo o princípio ativo losartana. As resoluções serão publicadas no Diário
Oficial da União (DOU) desta quarta-feira (13).
Segundo o órgão, a ação é motivada pelo recebimento, no dia último
dia 7, de novos dados científicos referentes à impureza denominada azido,
detectada na losartana. Os documentos contendo as informações foram
solicitados pela Anvisa de forma proativa e recebidos no âmbito do acordo de
confidencialidade firmado com a European Medicines Agency (EMA),
após divulgação, pelo Coordination Group for Mutual Recognition and
Decentralised Procedures – Human (CMDh), órgão vinculado à EMA, de
novas informações sobre o azido no princípio ativo.
A agência reguladora brasileira salientou que todo o processo
de recolhimento de qualquer produto ou substância é feito com foco na segurança
dos pacientes. “Por isso, após a publicação de uma medida preventiva, a Anvisa
continua buscando informações e mantém uma avaliação constante da situação. No
caso da losartana, após a análise dos novos dados, foi possível reverter a
decisão”, disse o órgão, por meio de nota.
Segurança – A Anvisa destacou, ainda, que evidências demonstraram,
a partir de novos testes realizados, que a impureza azido não possui a
toxicidade inicialmente identificada. Assim, com os novos dados apresentados,
os limites de segurança foram recalculados, indicando que os lotes do medicamento
que foram recolhidos ou interditados não ultrapassam estas balizas.
O azido, diz o órgão, é uma substância que pode surgir
durante o processo de fabricação do insumo farmacêutico ativo losartana.
Inicialmente, essa impureza foi considerada como de potencial mutagênico, ou
seja, como possível causadora de alterações capazes de provocar danos às
células humanas. Diante de estudos adicionais realizados, a impureza foi
reclassificada para “não mutagênica”.
Dessa forma, considerando os resultados de estudos
científicos mais recentes, ficou demonstrado que os produtos objeto das
determinações de interdição, recolhimento e proibição estão aptos a serem
mantidos no mercado. Por isso, justifica a Anvisa, a decisão adequada foi
revogar tais determinações.
Decisão técnica – O órgão destaca que a determinação foi tomada com o
objetivo de preservar a saúde da população. “Tendo em vista os dados
disponíveis naquele momento, as medidas adotadas foram preventivas,
considerando, também, o impacto no mercado brasileiro e a necessidade de
continuidade dos tratamentos, pois a losartana é o anti-hipertensivo e uma das
medicações para insuficiência cardíaca mais utilizados no Brasil”, frisou a agência.
Na avaliação do órgão regulador, todo o processo de tomada de
decisão, neste caso específico, foi baseado, proativamente, na busca de dados e
informações que pudessem subsidiar suas ações, em colaboração com outras
autoridades sanitárias de referência. “A toxicologia, como as demais áreas do
conhecimento científico, está em constante e rápido aprimoramento. Assim, a
Agência permanece atenta aos avanços científicos, e mantém o compromisso com a
promoção e a proteção da saúde da população brasileira, sempre pautada no risco
sanitário e fundamentada nos dados científicos disponíveis”, observou.
Agora, após a conclusão da investigação, a Anvisa afirma que os medicamentos contendo losartana são seguros e que os pacientes que fazem uso deles devem continuar utilizando o fármaco normalmente.