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Saúde

Brasil articula compra de vacina contra varíola dos macacos

24 de Julho de 2022 | 13h 01
Brasil articula compra de vacina contra varíola dos macacos
Foto: Reuters/Dado Ruvic

O Brasil já contabiliza 696 casos confirmados de varíola dos macacos. Com a declaração de que a doença é uma emergência global, alerta emitido, ontem (23), pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o país iniciou a articulação para a aquisição da vacina.

De acordo com a Agência Brasil, o Ministério da Saúde informou que as negociações estão sendo realizadas, por intermédio da OMS, de forma global, diretamente com o fabricante, a fim de ampliar o acesso ao imunizante para os países onde há ocorrências confirmadas.

Por meio de nota, a pasta ressaltou que a vacinação em massa não é preconizada pela OMS em países não endêmicos para a enfermidade, caso do Brasil. Até o momento, a recomendação é de que sejam imunizadas apenas as pessoas que tiveram contato com casos suspeitos e os profissionais de saúde com alto risco ocupacional, em função da exposição ao vírus.

Dos 696 casos confirmados no país, 506 foram notificados pelo estado de São Paulo; 102 pelo Rio de Janeiro; 33 por Minas Gerais; 13 pelo Distrito Federal; 11 pelo Paraná; 14 por Goiás; três pela Bahia; dois pelo Ceará; três pelo Rio Grande do Sul; dois pelo Rio Grande do Norte; dois pelo Espírito Santo; três por Pernambuco; um por Mato Grosso do Sul; e um por Santa Catarina.

Emergência internacional – De acordo com o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, o surto de varíola dos macacos vem se espalhando rapidamente, por isso decidiu anunciar a declaração de emergência de saúde pública de interesse internacional, mesmo sem a chancela do Comitê de Emergência (nove cientistas votaram contra e seis a favor). “Temos um surto que se espalhou rápido pelo mundo, através de novas formas de transmissão, sobre as quais entendemos muito pouco, e que se encaixa nos critérios do Regulamento Sanitário Internacional. Por essas razões, decidi que a epidemia de varíola dos macacos representa uma emergência de saúde pública de preocupação internacional”, explicou.

quadro clínico leveCausada pelo vírus hMPXV (Human Monkeypox Virus), a varíola dos macacos provoca um quadro clínico mais brando do que a varíola humana, conhecida como Smallpox, que apresenta uma taxa de letalidade de até 30%, tendo sido considerada um flagelo da humanidade, por provocar uma doença bastante grave, que causou 300 milhões de mortes no mundo, apenas no século 20. Esta foi considerada erradicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1980, após uma ampla campanha de vacinação mundial, entre as décadas de 1960 e 1970. 

TRANSMISSÃO – A varíola dos macacos, até então considerada uma doença viral rara, é transmitida pelo contato próximo com uma pessoa infectada que apresente lesões de pele. Segundo as autoridades sanitárias, a doença pode ser passada via abraço, beijo, massagens ou relações sexuais, podendo, também, ser adquirida por meio do contato com secreções respiratórias e com objetos, tecidos e superfícies utilizadas por pessoas doentes.

Não há tratamento específico. Em geral, a recomendação é o cuidado e a observação das lesões. Isto, entretanto, não significa que a doença não possa se agravar. O risco é grande em pacientes imunossuprimidos, especialmente com HIV/AIDS, leucemia, linfoma e metástase. Também em transplantados e portadores de doenças autoimunes, gestantes, lactantes e crianças com menos de 8 anos.

SINTOMAS – Os primeiros sinais da infecção pelo Monkeypox Virus são: febre, dor de cabeça, dores musculares e nas costas, linfonodos inchados, calafrios e exaustão. As lesões de pele, geralmente, ocorrem, de um a três dias após o início dos sintomas. Os pacientes desenvolvem ulcerações no rosto, principalmente ao redor da boca, nos pés, peito ou regiões genitais.

A prevenção não é algo estranho ao mundo, especialmente após a pandemia de Covid-19. Os cuidados são, basicamente, os mesmos. No caso da varíola dos macacos, é preciso higienizar as mãos, lavando-as com água e sabão ou utilizando álcool a 70%; evitar contato próximo com pessoas infectadas, até que todas as feridas tenham cicatrizado; não fazer uso de qualquer material que tenha sido utilizado por pessoas doentes, sem a devida desinfecção; e usar máscaras, caso não seja possível permanecer longe de pessoas contagiadas.



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