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Saúde

Agosto Lilás: mais de 350 mulheres vítimas de violência foram atendidas no HGCA, nos últimos 2 anos

23 de Agosto de 2022 | 13h 29
Agosto Lilás: mais de 350 mulheres vítimas de violência foram atendidas no HGCA, nos últimos 2 anos
Foto: Paulo José/Acorda Cidade

No mês em que se celebra a campanha Agosto Lilás, instituída para promover uma conscientização pelo fim da violência contra a mulher, o Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA), através do sistema de informação da Vigilância Epidemiológica (VIEP/HGCA), apresenta dados alarmantes de mulheres vítimas de diversos tipos de violências atendidas na unidade. De janeiro ao dia 10 de agosto deste ano, o HGCA notificou e investigou 203 casos de violência, sendo 142 deles, o que equivale a 70%, de violência contra a mulher.

Os dados indicam, ainda, que 80% das ocorrências foram contra mulheres solteiras, onde 60% dos casos ocorreram em domicílio. Os cônjuges correspondem a 15% das agressões. Outros 12% estão relacionadas a namorados (as); 5% a ex-cônjuges; e 3% a ex-namorados (as). No mesmo período do ano passado, 204 mulheres deram entrada na unidade, por conta de violência.

Segundo Gerusa Che, coordenadora da VIEP/HGCA, os números mostram que 35% dos casos de violência contra a mulher estão associados a autores com algum tipo de vínculo emotivo com a vítima. “Em relação ao tipo de violência praticada, 100% dos casos notificados e investigados tiveram como informação a prática de violência física, seguida de 51% de espancamento, 26% violência psicológica, 15% uso de arma de fogo, 9% corresponderam a mulheres vítimas de enforcamento, 8% relataram uso de objeto contundente e 6% sofreram violência sexual. Além disso, 9% relataram outras formas de violência, como assédio, tortura e uso de substâncias quentes. Isso reafirma que a violência à mulher é um problema social e de saúde pública que requer aprimoramento das ações de combate a essa prática”, destacou a gestora.

Programação Para chamar a atenção para o problema, várias ações estão sendo realizadas no HGCA, alusivas à Campanha Agosto Lilás, tais como: rodas de conversa, palestras, eventos educativos. A ideia é promover o acesso ao conhecimento e orientações aos usuários, familiares e acompanhantes que buscam o serviço social, com distribuição de fitas da cor lilás, orientações e informações passadas oralmente.

Para encerrar as atividades, uma Roda de Conversa será realizada na próxima quinta-feira (25), no auditório do HGCA. O evento contará com a presença do juiz titular da Vara de Violência contra a Mulher de Feira de Santana, Dr. Wagner Ribeiro, e da delegada titular da Delegacia de Atendimento Especializado à Mulher (Deam), Dra. Clécia Vasconcelos.

A organização está por conta de representantes de vários setores do hospital, a exemplo da coordenadora do Setor Jurídico, Nathalia Menezes; do assessor jurídico Gabriel Salles; da coordenadora do Setor de Psicologia, Laila Nogueira; e coordenadora do Serviço Social, Rosângela Adorno. A ação conta com o apoio do Grupo de Trabalho Humanizado (GTH) do HGCA. Na oportunidade, haverá sorteio de brindes e dia de beleza.

Fluxo de atendimento – Segundo Rosângela Adorno, quando confirmada a situação de violência feminina, as vítimas são encaminhadas, pelo Serviço Social, à Rede de Proteção às Mulheres em Situação de Violência. “No HGCA, temos um fluxo específico para este tipo de atendimento. A mulher é recebida, inicialmente, pelo setor de classificação de risco, onde é feito o acolhimento. Logo em seguida, é encaminhada para serem prestados os cuidados clínicos e ou cirúrgicos pertinentes. E é feita, também, a comunicação da situação ao Serviço Social e à Psicologia”, explica.

Conforme Rosângela Adorno, culturalmente, nem toda mulher que chega ao HGCA aceita falar sobre a violência sofrida. Por isso, não confirma a agressão doméstica ou familiar. “Nossa equipe faz a abordagem respeitando a privacidade desta mulher. Realiza escuta qualificada e, muitas vezes, só conseguimos acessar essa mulher com abertura de agirmos e encaminharmos à rede quando ela aponta o risco de morte ou reconhecem a violência. Daí, aceita o nosso apoio”, observa.

A gestora salienta, ainda, que cabe ao setor avisar as autoridades policiais competentes. “É de nossa responsabilidade preencher a Ficha Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação) e realizar os encaminhamentos pertinentes para a Delegacia da Mulher (Deam), Centro de Referência de atendimentos à Mulher (Cram), Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), dentre outros. Todas as mulheres têm direito a uma vida sem violência. Este é um desafio cotidiano do nosso trabalho como assistentes sociais”, destaca.

A campanha Agosto Lilás faz referência ao aniversário da Lei Maria da Penha, instituída pela Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006, que, em 2022, completou 16 anos. 



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