No mês em que se celebra a campanha Agosto Lilás, instituída
para promover uma conscientização pelo fim da violência contra a mulher, o
Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA), através do sistema de informação da
Vigilância Epidemiológica (VIEP/HGCA), apresenta dados alarmantes de mulheres
vítimas de diversos tipos de violências atendidas na unidade. De janeiro ao dia
10 de agosto deste ano, o HGCA notificou e investigou 203 casos de violência,
sendo 142 deles, o que equivale a 70%, de violência contra a mulher.
Os dados indicam, ainda, que 80% das ocorrências foram contra
mulheres solteiras, onde 60% dos casos ocorreram em domicílio. Os cônjuges correspondem
a 15% das agressões. Outros 12% estão relacionadas a namorados (as); 5% a ex-cônjuges;
e 3% a ex-namorados (as). No mesmo período do ano passado, 204 mulheres deram
entrada na unidade, por conta de violência.
Segundo Gerusa Che, coordenadora da VIEP/HGCA, os números
mostram que 35% dos casos de violência contra a mulher estão associados a
autores com algum tipo de vínculo emotivo com a vítima. “Em relação ao tipo de
violência praticada, 100% dos casos notificados e investigados tiveram como
informação a prática de violência física, seguida de 51% de espancamento, 26%
violência psicológica, 15% uso de arma de fogo, 9% corresponderam a mulheres
vítimas de enforcamento, 8% relataram uso de objeto contundente e 6% sofreram
violência sexual. Além disso, 9% relataram outras formas de violência, como
assédio, tortura e uso de substâncias quentes. Isso reafirma que a violência à
mulher é um problema social e de saúde pública que requer aprimoramento das
ações de combate a essa prática”, destacou a gestora.
Programação
– Para
chamar a atenção para o problema, várias ações estão sendo realizadas no HGCA,
alusivas à Campanha Agosto Lilás, tais como: rodas de conversa, palestras,
eventos educativos. A ideia é promover o acesso ao conhecimento e orientações
aos usuários, familiares e acompanhantes que buscam o serviço social, com
distribuição de fitas da cor lilás, orientações e informações passadas
oralmente.
Para encerrar as atividades, uma Roda de Conversa será
realizada na próxima quinta-feira (25), no auditório do HGCA. O evento contará
com a presença do juiz titular da Vara de Violência contra a Mulher de Feira de
Santana, Dr. Wagner Ribeiro, e da delegada titular da Delegacia de Atendimento
Especializado à Mulher (Deam), Dra. Clécia Vasconcelos.
A organização está por conta de representantes de vários
setores do hospital, a exemplo da coordenadora do Setor Jurídico, Nathalia
Menezes; do assessor jurídico Gabriel Salles; da coordenadora do Setor de
Psicologia, Laila Nogueira; e coordenadora do Serviço Social, Rosângela Adorno.
A ação conta com o apoio do Grupo de Trabalho Humanizado (GTH) do HGCA. Na
oportunidade, haverá sorteio de brindes e dia de beleza.
Fluxo
de atendimento – Segundo
Rosângela Adorno, quando confirmada a situação de violência feminina, as
vítimas são encaminhadas, pelo Serviço Social, à Rede de Proteção às Mulheres
em Situação de Violência. “No HGCA, temos um fluxo específico para este tipo de
atendimento. A mulher é recebida, inicialmente, pelo setor de classificação de
risco, onde é feito o acolhimento. Logo em seguida, é encaminhada para serem prestados
os cuidados clínicos e ou cirúrgicos pertinentes. E é feita, também, a
comunicação da situação ao Serviço Social e à Psicologia”, explica.
Conforme Rosângela Adorno, culturalmente, nem toda mulher que
chega ao HGCA aceita falar sobre a violência sofrida. Por isso, não confirma a
agressão doméstica ou familiar. “Nossa equipe faz a abordagem respeitando a
privacidade desta mulher. Realiza escuta qualificada e, muitas vezes, só conseguimos
acessar essa mulher com abertura de agirmos e encaminharmos à rede quando ela
aponta o risco de morte ou reconhecem a violência. Daí, aceita o nosso apoio”,
observa.
A gestora salienta, ainda, que cabe ao setor avisar as
autoridades policiais competentes. “É de nossa responsabilidade preencher a
Ficha Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação) e realizar os
encaminhamentos pertinentes para a Delegacia da Mulher (Deam), Centro de
Referência de atendimentos à Mulher (Cram), Centro de Referência Especializado
de Assistência Social (Creas), dentre outros. Todas as mulheres têm direito a
uma vida sem violência. Este é um desafio cotidiano do nosso trabalho como
assistentes sociais”, destaca.
A campanha Agosto Lilás faz referência ao aniversário da Lei Maria da Penha, instituída pela Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006, que, em 2022, completou 16 anos.