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Saúde

Ruas tomadas por panfletos políticos provocam aumento de quedas, em Feira; ocorrências aumentaram no HGCA

05 de Outubro de 2022 | 11h 26
Ruas tomadas por panfletos políticos provocam aumento de quedas, em Feira; ocorrências aumentaram no HGCA
Foto: Ed Santos/Acorda Cidade

Apesar de ser considerada crime eleitoral, a prática de distribuir peças de publicidade eleitoral nas proximidades dos locais de votação continua ocorrendo, a cada pleito, em todas as cidades brasileiras. O resultado pós-votação é sempre o mesmo: ruas inundadas de “santinhos”. Em Feira de Santana, os milhares de panfletos acumulados no chão, resultado da votação do último domingo (2), vêm provocando acidentes.

Segundo o Acorda Cidade, a imensa quantidade de lixo que se formou nas ruas, a partir da propaganda dos candidatos, vem incidindo no aumento das ocorrências de quedas atendidas no Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA). Até mesmo casos de fraturas graves, provocadas por materiais de campanha, vêm sendo registrados.

Ao site, o auxiliar administrativo Carlos Eduardo Melo de Carvalho, de 39 anos, contou que se acidentou por causa dos santinhos acumulados em frente ao Colégio Reitor Edgar Santos, no bairro Jomafa, onde ele vota. “Ao chegar ao local de votação, percebi a grande quantidade de santinhos espalhados pelo chão, de forma que cobriu completamente o meio-fio da entrada da escola. Pisei em falso e tive uma torção muito forte no pé”, relatou.

Apesar da dor, ele disse que não desistiu de exercer o seu direito ao voto. “Entrei no colégio com o pé machucado e sentindo muita dor. Fui até a minha seção e exerci a minha cidadania, votei e fui para casa. As dores pioraram. Cheguei a colocar uma compressa de gelo e tomei um remédio para dor. Fui para o hospital, onde foi feito um raio-x, que constatou uma luxação e uma pequena distensão no tendão”, disse, ao Acorda Cidade.

Carlos Eduardo precisou ter o pé imobilizado, ficando impedido de trabalhar durante uma semana. “Ainda não estou conseguindo andar direito, com dores e o pé inchado. Fica o aviso para que as pessoas tomem mais cuidado. Vai ter o segundo turno e acredito que a quantidade de santinhos não será a mesma, pois serão menos candidatos, mas, com certeza, ainda vai ter santinhos pelo chão”, alertou.

Na opinião dele, a distribuição de santinhos nos colégios eleitorais deveria ser proibida. “A minha opinião é que isso devia ser proibido. Além de ser um crime eleitoral, a cidade fica suja, acontecem acidentes, como aconteceu comigo, porque, quando cheguei ao hospital, tinha mais duas pessoas que sofreram acidentes parecidos com o meu e estavam com os pés machucados, por causa dos santinhos. As pessoas devem tomar muito cuidado, para que não aconteça nenhum acidente”, aconselhou.

Ainda de acordo com o Acorda Cidade, ouvindo o relato de Eduardo durante o programa de rádio que a emissora veicula diariamente, um ouvinte ligou, informando que a cunhada havia quebrado o fêmur da mesma maneira. A vítima escorregou em santinhos espalhados pelo chão. Outras pessoas também ligaram para a rádio, a fim de informar que também se acidentaram nas mesmas circunstâncias. Uma eleitora disse que caiu em frente ao Colégio Assis Chateaubriand, machucando o ombro. “Ainda sinto muitas dores”, lamentou.

Em entrevista ao programa, o médico ortopedista Alexandre Vieira Alves, coordenador da ala de Ortopedia do HGCA, informou que o aumento no número de internamentos por quedas foi de, aproximadamente, 30%. A maioria dos casos foi de pacientes idosos. “No final de semana, tivemos um aumento no número de pacientes vítimas de queda. Inclusive, vários idosos internados com fratura de fêmur, de várias idades, mas muitos que estão na emergência, hoje, foram vítimas de queda”, disse.

O médico chamou a atenção para a necessidade de se minimizar os riscos desse tipo de acidente. “Com o paciente idoso tem que haver um trabalho de prevenção. Então, tudo que gera risco de queda tem que ser evitado. Já temos um número grande de pacientes vítimas de queda, diariamente, mas eu percebi um aumento de cerca de 30% na quantidade de idosos”, reiterou.

Para o especialista, aumento dos acidentes pode ter sido, sim, ocasionado pelos santinhos acumulados nas ruas. “Eu acredito que a grande quantidade de santinhos espalhados pela cidade durante as eleições podem ter sido a causa desse aumento. Os santinhos, de qualquer forma, são lixo. E vi muitos na rua, vários no asfalto e nas calçadas. Então, é mais um fator que pode predispor aos acidentes. Os idosos sem um equilíbrio bom passam e escorregam nesses papéis, misturados com alguma sujeira, lama, e isso pode propiciar uma queda”, observou.

Ele salientou, ainda, que fraturas em idosos elevam o índice de morbidade e mortalidade. “A fratura mais comum no idoso é a de rádio distal, que a gente tem visto muito na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), de muitos idosos que caem ou tropeçam. E a fratura do fêmur, que é o carro-chefe, é causada, principalmente, por quedas. O risco de se ter esse material na rua é fazer com que as pessoas escorreguem, além de ser lixo, que pode interferir na saúde pública. Hoje, na era digital é inconcebível que ainda tenhamos essa quantidade de lixo nas ruas”, ponderou.

Nos idosos as fraturas são mais graves e levam a internamentos mais prolongados, gerando custo para o estado. Conforme Alexandre Vieiras Alves, esse público é mais suscetível a quedas, assim como as crianças.

“Em casa os idosos têm que fazer de tudo para terem uma segurança a mais, para evitar escorregões, então evitar qualquer tipo de lixo, papel no chão, sempre tem que ter alguém olhando esses idosos, porque eles não têm um equilíbrio satisfatório, então é preciso uma rede de apoio para esses idosos para que eles não venham a cair, e os santinhos estarão ocasionando um fator extra. Eu acredito que deva existir uma política de prevenção de acidentes maior no município”, orientou.

Conforme o Tribunal Regional Eleitoral (TRE), o candidato que ordenar ou permitir o derramamento de materiais de campanha nas ruas estará praticando propaganda irregular, sob pena de multa, além da apuração do crime, conforme previsto na legislação eleitoral (Lei nº 9.504/1997).



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