A Secretaria de Saúde Pública do Estado do Pará (Sespa)
investiga se o caso de Paralisia Flácida Aguda (PFA) detectada em uma criança
de 3 anos, em Santo Antônio do Tauá, está relacionado à Poliomelite Associada
ao Vírus Vacinal (VAPP) ou a outras doenças, como a Síndrome de Guillain-Barré.
O órgão divulgou, nesta quinta-feira (6), que o menino, que
apresenta um quadro de desnutrição e não foi vacinado corretamente, manifestou
sintomas clássicos da pólio, como perda de força nas pernas, febre e dores
musculares.
Conforme o g1 PA, o quadro foi, inicialmente, notificado como
PFA, mas o órgão estadual afirma que o diagnóstico ainda não está fechado. As
autoridades sanitárias locais enfatizam que não há sinal de circulação do Poliovírus
Selvagem (PVS) na região.
O Ministério da Saúde foi informado e enviou uma equipe ao
Pará, para acompanhar a investigação da ocorrência. “De acordo com informações
enviadas pela secretaria estadual de saúde, o caso pode estar relacionado a um
evento adverso ocasionado por vacinação inadequada. É importante ressaltar que
não se trata de poliomielite”, disse Marcelo Queiroga, ministro da Saúde, por
meio de nota.
A suspeita de pólio associada ao vírus vacinal foi levantada
após o exame das fezes da criança acusar positivo para o agente causador da
doença. O Instituto Evandro Chagas (IEC/SCTIE/MS) afirmou que a análise
laboratorial identificou a presença do “vírus vacinal Sabin Like 3”, um dos
componentes do imunizante usado como dose de reforço no esquema vacinal.
Em função disso, conforme o g1, as autoridades acreditam não
se tratar de um caso de Poliovírus Selvagem, que, no Brasil, está erradicado desde
1989. Em 1994, o país recebeu da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) a
certificação de área livre de circulação do agente causador da doença. No entanto,
a queda vertiginosa da taxa de vacinação, registrada, sobretudo, este ano,
coloca em xeque todo o esforço feito para manter o território nacional livre da
poliomielite.
O desafio das autoridades sanitárias, agora, é voltar a
registrar 95% de cobertura vacinal, como no passado. De acordo com balanço
feito, recentemente, pelo Ministério da Saúde, em 2022, a Campanha Nacional de
Vacinação contra a Poliomiolite, que terminou no dia 30 de setembro, sequer
chegou perto da meta. Apenas 61% das mais de 11,5 milhões de crianças entre 1 e
4 anos foram imunizadas. O dado preocupa não apenas os gestores de saúde
brasileiros, mas também os dos países vizinhos.
VAPP – Casos de poliomelite associada ao vírus
utilizado pala elaborar a vacina não são inéditos. A Sociedade Brasileira de
Imunizações (Sbim) salienta que, apenas entre 1989 e 2011, foram registrados 46
casos no Brasil, todos em crianças, o que equivale a um caso para cada 1,6
milhão de doses aplicadas.
Segundo o g1, a criança paraense vitima de paralisia começou
a apresentar os sintomas no dia 21 de agosto. Um dia antes, o menino recebeu a dose
de reforço contra a pólio, a chamada Vacina Oral Poliomielite (VOP), em forma
de gotinha. O problema é que, antes, ele não foi vacinado com a Vacina Inativada
Poliomielite (VIP), aplicada por meio de injeção.
A VIP reduz ainda mais o risco de desenvolvimento da
Poliomelite Associada ao Vírus Vacinal, que já é considerado baixo. Em função
disso as autoridades sanitárias recomendam que a gotinha não seja administrada
antes do imunizante injetável.
A Diretoria de Vigilância de Saúde do Pará ressaltou que a criança
tomou duas doses de VOP, a primeira em junho do ano passado e a segunda em
agosto deste ano. A prática está em desacordo com as normas do Plano Nacional
de Imunização (PNI).
Após as fezes da criança apresentarem o poliovírus, uma
equipe da vigilância epidemiológica foi enviada ao município de Santo Antônio
do Tauá. A missão é coletar mais informações e avaliar o quadro clínico do
paciente. O g1 apurou que, mesmo antes da vacinação, o menino apresentava desnutrição
e “muito baixa estatura”.
O garoto não chegou a ser internado, tendo sido atendido em
ambulatório. Ele evoluiu bem e está em curva de melhora, com retorno gradativo
da força muscular. Na última quarta-feira (5), o menino apresentava, somente,
leve dificuldade para movimentar a perna esquerda.
A Secretaria de Saúde Pública do Pará emitiu um comunicado,
destacando a importância de manter as crianças menores de 5 anos devidamente protegidas
com elevadas e homogêneas coberturas vacinais. O órgão ressaltou, ainda, que é
imprescindível uma vigilância ativa e sensível das paralisias flácidas agudas
em menores de 15 anos.
O caso da criança paraense segue em investigação, porque outras
hipóteses diagnósticas ainda não foram descartadas, como a Síndrome de
Guillain-Barré. De acordo com o g1, a Sespa destacou que presta toda a
assistência ao paciente, que se recupera em casa, bem como atua de modo a
esclarecer o caso o mais rápido possível.
VACINAÇÃO CONTINUA – Além disso, a pasta salientou que a
campanha contra a pólio seguirá, no estado, até o dia 31 de outubro. O órgão garantiu
que segue incentivando os municípios a darem continuidade à campanha de
vacinação, para que os mesmos alcancem a meta da cobertura vacinal, que é de
95%. No Pará, até o momento, os índices de vacinação contra a pólio são muito baixos.
Apenas 44,68% do público-alvo foi imunizado no estado, diferentemente do ano
passado, quando foi registrada uma taxa
de 76,75% de imunização de rotina contra a poliomielite.
Em entrevista ao programa A Voz do Brasil, concedida na quinta-feira
(29), o ministro Marcelo Queiroga lembrou que, mesmo após o fim da campanha, as
vacinas contra a pólio continuarão sendo disponibilizadas em toda a rede
pública de saúde do país. “É inaceitável que crianças sofram por doenças que são evitáveis por vacinas”, destacou o
gestor, convocando a população a imunizar seus filhos.