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Saúde

Brasil teme volta da Pólio: Pará investiga caso de paralisia flácida aguda em criança de 3 anos

07 de Outubro de 2022 | 10h 02
Brasil teme volta da Pólio: Pará investiga caso de paralisia flácida aguda em criança de 3 anos
Foto: Reprodução

A Secretaria de Saúde Pública do Estado do Pará (Sespa) investiga se o caso de Paralisia Flácida Aguda (PFA) detectada em uma criança de 3 anos, em Santo Antônio do Tauá, está relacionado à Poliomelite Associada ao Vírus Vacinal (VAPP) ou a outras doenças, como a Síndrome de Guillain-Barré.

O órgão divulgou, nesta quinta-feira (6), que o menino, que apresenta um quadro de desnutrição e não foi vacinado corretamente, manifestou sintomas clássicos da pólio, como perda de força nas pernas, febre e dores musculares.

Conforme o g1 PA, o quadro foi, inicialmente, notificado como PFA, mas o órgão estadual afirma que o diagnóstico ainda não está fechado. As autoridades sanitárias locais enfatizam que não há sinal de circulação do Poliovírus Selvagem (PVS) na região.

O Ministério da Saúde foi informado e enviou uma equipe ao Pará, para acompanhar a investigação da ocorrência. “De acordo com informações enviadas pela secretaria estadual de saúde, o caso pode estar relacionado a um evento adverso ocasionado por vacinação inadequada. É importante ressaltar que não se trata de poliomielite”, disse Marcelo Queiroga, ministro da Saúde, por meio de nota.

A suspeita de pólio associada ao vírus vacinal foi levantada após o exame das fezes da criança acusar positivo para o agente causador da doença. O Instituto Evandro Chagas (IEC/SCTIE/MS) afirmou que a análise laboratorial identificou a presença do “vírus vacinal Sabin Like 3”, um dos componentes do imunizante usado como dose de reforço no esquema vacinal.

Em função disso, conforme o g1, as autoridades acreditam não se tratar de um caso de Poliovírus Selvagem, que, no Brasil, está erradicado desde 1989. Em 1994, o país recebeu da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) a certificação de área livre de circulação do agente causador da doença. No entanto, a queda vertiginosa da taxa de vacinação, registrada, sobretudo, este ano, coloca em xeque todo o esforço feito para manter o território nacional livre da poliomielite.

O desafio das autoridades sanitárias, agora, é voltar a registrar 95% de cobertura vacinal, como no passado. De acordo com balanço feito, recentemente, pelo Ministério da Saúde, em 2022, a Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomiolite, que terminou no dia 30 de setembro, sequer chegou perto da meta. Apenas 61% das mais de 11,5 milhões de crianças entre 1 e 4 anos foram imunizadas. O dado preocupa não apenas os gestores de saúde brasileiros, mas também os dos países vizinhos.

VAPP – Casos de poliomelite associada ao vírus utilizado pala elaborar a vacina não são inéditos. A Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim) salienta que, apenas entre 1989 e 2011, foram registrados 46 casos no Brasil, todos em crianças, o que equivale a um caso para cada 1,6 milhão de doses aplicadas.

Segundo o g1, a criança paraense vitima de paralisia começou a apresentar os sintomas no dia 21 de agosto. Um dia antes, o menino recebeu a dose de reforço contra a pólio, a chamada Vacina Oral Poliomielite (VOP), em forma de gotinha. O problema é que, antes, ele não foi vacinado com a Vacina Inativada Poliomielite (VIP), aplicada por meio de injeção.

A VIP reduz ainda mais o risco de desenvolvimento da Poliomelite Associada ao Vírus Vacinal, que já é considerado baixo. Em função disso as autoridades sanitárias recomendam que a gotinha não seja administrada antes do imunizante injetável.

A Diretoria de Vigilância de Saúde do Pará ressaltou que a criança tomou duas doses de VOP, a primeira em junho do ano passado e a segunda em agosto deste ano. A prática está em desacordo com as normas do Plano Nacional de Imunização (PNI).

Após as fezes da criança apresentarem o poliovírus, uma equipe da vigilância epidemiológica foi enviada ao município de Santo Antônio do Tauá. A missão é coletar mais informações e avaliar o quadro clínico do paciente. O g1 apurou que, mesmo antes da vacinação, o menino apresentava desnutrição e “muito baixa estatura”.

O garoto não chegou a ser internado, tendo sido atendido em ambulatório. Ele evoluiu bem e está em curva de melhora, com retorno gradativo da força muscular. Na última quarta-feira (5), o menino apresentava, somente, leve dificuldade para movimentar a perna esquerda.

A Secretaria de Saúde Pública do Pará emitiu um comunicado, destacando a importância de manter as crianças menores de 5 anos devidamente protegidas com elevadas e homogêneas coberturas vacinais. O órgão ressaltou, ainda, que é imprescindível uma vigilância ativa e sensível das paralisias flácidas agudas em menores de 15 anos.

O caso da criança paraense segue em investigação, porque outras hipóteses diagnósticas ainda não foram descartadas, como a Síndrome de Guillain-Barré. De acordo com o g1, a Sespa destacou que presta toda a assistência ao paciente, que se recupera em casa, bem como atua de modo a esclarecer o caso o mais rápido possível.

VACINAÇÃO CONTINUA – Além disso, a pasta salientou que a campanha contra a pólio seguirá, no estado, até o dia 31 de outubro. O órgão garantiu que segue incentivando os municípios a darem continuidade à campanha de vacinação, para que os mesmos alcancem a meta da cobertura vacinal, que é de 95%. No Pará, até o momento, os índices de vacinação contra a pólio são muito baixos. Apenas 44,68% do público-alvo foi imunizado no estado, diferentemente do ano passado, quando  foi registrada uma taxa de 76,75% de imunização de rotina contra a poliomielite.

Em entrevista ao programa A Voz do Brasil, concedida na quinta-feira (29), o ministro Marcelo Queiroga lembrou que, mesmo após o fim da campanha, as vacinas contra a pólio continuarão sendo disponibilizadas em toda a rede pública de saúde do país. “É inaceitável que crianças sofram por doenças que são evitáveis por vacinas”, destacou o gestor, convocando a população a imunizar seus filhos.



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