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Política

Manifestantes pró-Bolsonaro queimam veículos e tentam invadir sede da PF, no Distrito Federal

13 de Dezembro de 2022 | 11h 08
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Manifestantes pró-Bolsonaro queimam veículos e tentam invadir sede da PF, no Distrito Federal
Foto: Reuters/Adriano Machado

Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) tentaram invadir a sede da Polícia Federal (PF), em Brasília, na noite desta segunda-feira (12). Os manifestantes protestavam contra a prisão do indígena José Acácio Serere Xavante, também bolsonarista, decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em função do tumulto, por volta das 22h, o Setor Hoteleiro Norte e parte do Eixo Monumental de Brasília precisaram ser fechados, segundo informações passadas pela assessoria de imprensa da Polícia Militar (PM). Os envolvidos na ação criminosa atearam fogo em carros e ônibus.

Conforme a Agência Brasil, inicialmente, a tentativa de invasão na sede da PF foi contida por policiais militares. No entanto, o protesto cresceu enveredou pela madrugada. A PM informou que, além das unidades locais, equipes táticas, o Batalhão de Choque e a agentes de operações especiais foram acionados para controlar a situação.

Na capital federal para a cerimônia de diplomação, que ocorreu por volta das 15h, o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), não foi exposto a nenhum tipo de risco, durante as manifestações. A informação foi passada à imprensa, na noite de ontem, pelo futuro ministro da Justiça, Flávio Dino, durante uma entrevista coletiva.

Segundo a Agência Brasil, a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF) disse, por meio de nota, que as forças de segurança reforçaram a atuação em toda área central de Brasília, a fim de controlar "distúrbios civis, do trânsito e de eventuais incêndios".

O órgão informou, ainda, que “as ações começaram em frente ao edifício-sede da Polícia Federal (PF), em decorrência do cumprimento de mandado de prisão, e se estenderam para outros locais da região central".

De acordo com o documento, o trânsito de veículos na Esplanada dos Ministérios, na Praça dos Três Poderes e em outras vias da região central permaneceu restrito, durante a onda de protestos, como medida preventiva. Os motoristas foram orientados a evitar transitar pelo centro da cidade. "Destacamos, por fim, que as imediações do hotel em que o presidente da república eleito está hospedado tem vigilância reforçada por equipes táticas e pela tropa de choque da Polícia Militar do Distrito Federal", destacou a SSP-DF.

Condutas ilícitasA prisão do indígena José Acácio Serere Xavante, motivo que desencadeou as manifestações por parte dos bolsonaristas, foi determinada pelo STF em função de suspeitas de "condutas ilícitas em atos antidemocráticos". A detenção foi deliberada a partir de uma solicitação da Procuradoria-Geral da República (PGR), pelo prazo de dez dias, a fim de garantir a ordem pública. 

Na decisão, o ministro Alexandre de Moraes detalha que o cacique Serere, como é conhecido, teria realizado, nos últimos dias, “manifestações de cunho antidemocrático”, tanto em frente ao Congresso Nacional, quanto no Aeroporto de Brasília, em um shopping e diante do hotel onde Lula estava hospedado.

Conforme a Agência Brasil, a PGR alega que o suspeito “vem se utilizando da sua posição de cacique do Povo Xavante para arregimentar indígenas e não indígenas” a cometer crimes, a exemplo de ameaças de agressão contra Lula e, também contra ministros da Suprema Corte. 

Por meio de suas redes sociais, a Polícia Federal disse que cumpriu a ordem de prisão expedida pelo magistrado do STF e que Serere Xavante foi arrestado, encontrando-se "acompanhado de advogados". A corporação também ressaltou que "todas as formalidades relativas à prisão estão sendo adotadas nos termos da legislação, resguardando-se a integridade física e moral do detido".

Sobre os distúrbios, a PF salientou que os atos de vandalismo que aconteceram nas imediações do Edifício-Sede da Polícia Federal estavam "sendo contidos com o apoio de outras forças de Segurança Pública do Distrito Federal", como a Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros e a Polícia Civil.

RepercussãoO ministro da Justiça e Segurança Pública do atual governo, Anderson Torres, escreveu, em suas redes sociais, que a pasta, por meio da Polícia Federal, "manteve estreito contato com a Secretaria de Segurança Pública do DF e com o governo do Distrito Federal, a fim de conter a violência e restabelecer a ordem". O gestor enfatizou, ainda, que tudo seria "apurado e esclarecido".

 Posteriormente, Torres publicou outra mensagem, informando que a situação estava se normalizando e repreendendo os atos protagonizados pelos manifestantes. "Nada justifica as cenas lamentáveis que vimos no centro de Brasília", frisou,  destacando que a "Capital Federal, tradicionalmente, é palco de manifestações pacíficas e ordeiras. E seguirá sendo!".

O atual ministro da Justiça também agradeceu o empenho da SSP e do governo do Distrito Federal pelo apoio prestado à PF. Segundo ele, os manifestantes serão responsabilizados.

Ainda conforme a Agência Brasil, o futuro ministro da Justiça, Flávio Dino, condenou os protestos. Em suas redes sociais, ele declarou que depredação promovida pelos manifestantes e a tentativa de invasão do prédio da Polícia Federal são "inaceitáveis" e que "Ordens judiciais devem ser cumpridas". Também observou que aqueles  que se considerarem prejudicados "devem oferecer os recursos cabíveis, jamais praticar violência política". 

Para o presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), os atos de violência praticados pelos apoiadores de Bolsonaro são "absurdos". Em suas redes sociais, o parlamentar definiu os participantes das ações de vandalismo como "minoria raivosa". "A depredação de bens públicos e privados, assim como o bloqueio de vias, só servem para acirrar o cenário de intolerância que impregnou parte da campanha eleitoral que se encerrou", escreveu.

Pacheco também destacou a necessidade de as forças de segurança atuarem para encerrar os conflitos. "Forças públicas de segurança devem agir para reprimir a violência injustificada, com o intuito de restabelecer a ordem e a tranquilidade de que todos nós precisamos para levar o país adiante", frisou.



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