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Saúde

Supermicróbios podem causar 10 milhões de mortes até 2050, diz ONU

08 de Fevereiro de 2023 | 09h 51
Supermicróbios podem causar 10 milhões de mortes até 2050, diz ONU
Foto: REUTERS/Davi Pinheiro

Até 2050, cerca de 10 milhões de pessoas pode morrer em decorrência de infecções causadas pelo surgimento e propagação de supermicróbios, cepas de bactérias multirresistentes a antibióticos conhecidos. O alerta foi emitido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

Segundo a Agência Brasil, a organização defende a redução da poluição gerada pelos setores farmacêutico, agrícola e de saúde, haja vista considerar a medida uma estratégia essencial para o combate da chamada resistência antimicrobiana.

Divulgado nesta terça-feira (7), pela entidade, o relatório intitulado Preparando-se para os supermicróbios: fortalecendo a ação ambiental na resposta à resistência antimicrobiana pela abordagem de saúde única, enfatiza que o custo econômico da resistência antimicrobiana poderia resultar em uma queda do Produto Interno Bruto (PIB) global de, pelo menos, US$ 3,4 trilhões de dólares até 2030, jogando 24 milhões de pessoas na linha da extrema pobreza.

O documento sinaliza, ainda, que, atualmente, os supermicróbios já são responsáveis por um sério impacto na saúde humana, de animais e de plantas, daí a defesa de uma resposta multissetorial de saúde. “Devemos permanecer focados em reverter a maré nesta crise, aumentando a conscientização e colocando este assunto de importância global na agenda das nações”, disse a presidente do Grupo de Lideranças Globais sobre Resistência Antimicrobiana, Mia Amor Mottley.

O Pnuma, diz a Agência Brasil, ressalta que o desenvolvimento e a propagação dos supermicróbios se dão quando medicamentos antimicrobianos usados para prevenir e tratar infecções em humanos, animais e plantas perdem eficácia. Com isso, a medicina moderna também perde a capacidade de tratar até infecções leves.

Na lista da Organização Mundial da Saúde (OMS), a resistência antimicrobiana aparece como uma das dez principais ameaças globais à saúde. Para se ter uma ideia, em 2019, 1,27 milhões de mortes foram diretamente associadas a infecções resistentes a medicamentos, em todo o mundo. Outros 4,95 milhões de óbitos foram atribuídos à resistência antimicrobiana.

Conforme o Pneuma, as mudanças climáticas estão entre os fatores que possibilitam o surgimento de micro-organismos multirresistentes. “A tripla crise planetária implica em temperaturas mais altas e padrões climáticos extremos, mudanças no uso do solo que alteram sua diversidade microbiana, assim como poluição biológica e química. Tudo isso contribui para o desenvolvimento e a disseminação da resistência antimicrobiana”, destaca a entidade.

Para Inger Andersen, diretora-executiva da organização, “a poluição do ar, do solo e dos cursos d'água mina o direito humano a um ambiente limpo e saudável”. Ela salienta que “os mesmos fatores que causam a degradação do meio ambiente estão agravando o problema da resistência antimicrobiana” e que “os impactos da resistência antimicrobiana podem destruir nossa saúde e nossos sistemas alimentares”.

De acordo com o relatório da instituição, dentre as medidas sugeridas para o enfrentamento dos supermicróbios, estão:

 

- a multiplicação dos esforços globais para melhorar a gestão integrada dos recursos hídricos, a exemplo da promoção do abastecimento de água, do saneamento e da higiene;

- o estímulo para que países integrem um enfoque ambiental aos planos de ação, em nível nacional, relacionados com o meio ambiente, como é o caso de programas nacionais de gestão de resíduos e poluição por químicos e de planos de ação em matéria de biodiversidade nacional e planejamento frente à mudança climática;

- o estabelecimento de padrões internacionais relativos a indicadores microbiológicos adequados de resistência antimicrobiana, a partir de amostras ambientais;

- a exploração de opções para redirecionar investimentos, o estabelecimento de incentivos e esquemas financeiros inovadores, bem como justificativas de investimento no sentido de garantir financiamento sustentável, incluindo a alocação de recursos internos suficientes para enfrentar os supermicróbios;

- o reforço ao monitoramento e à vigilância ambiental, bem como priorização da pesquisa para fornecimento de mais dados e evidências que fundamentem melhores intervenções.

 

Frente ao risco iminente, o documento conclui que “a resistência antimicrobiana requer uma resposta de saúde única que reconheça que a saúde das pessoas, dos animais, das plantas e do meio ambiente estão intimamente ligados e são interdependentes”. E enfatiza que “a prevenção está no centro da ação necessária para deter o surgimento da resistência antimicrobiana e o meio ambiente é uma parte fundamental da solução”.



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