O número de vagas do Programa Mais Médicos para o Brasil,
cuja retomada foi anunciada na última semana, será ampliado em mais mil postos
abertos ainda no primeiro edital. O anúncio foi feito, nesta
quarta-feira (29), pela ministra da Saúde, Nísia Trindade.
Segundo a Agência Brasil, em debate na 24ª Marcha a Brasília
em Defesa dos Municípios, a gestora destacou o Movimento Nacional pela
Vacinação e os importantes investimentos que o Governo Federal pretende colocar
na atenção primária à saúde e no cuidado integral, a fim de reduzir as
hospitalizações de longo prazo.
Apontando que houve retrocessos, em relação ao programa, no
governo passado, Nísia Trindade destacou a ampliação, no seu relançamento, e as
inovações acordadas. "Nós pactuamos na Comissão Tripartite o Mais Médicos
com todas as inovações que pudemos associar pela avaliação e experiência.
Infelizmente, nós tínhamos brasileiros fora dessa cobertura no país, o que
ocasionou retrocessos importantes nesse programa. E com o relançamento, nós
vamos abrir seis mil vagas. Anunciamos cinco
mil, mas vai ser possível, neste momento, ampliar para seis mil
vagas", detalhou.
Segundo o Ministério da Saúde, ao todo, 16 mil vagas serão
abertas até o final deste ano para profissionais responsáveis pela atenção
primária em milhares de cidades brasileiras, especialmente nas áreas de extrema
pobreza. As outras 10 mil oportunidades serão oferecidas em formato de
contrapartida dos municípios, garantindo, às prefeituras, menor custo,
viabilização das contratações, maior agilidade na reposição do profissional e
permanência nessas localidades.
Marcha
– Ainda conforme a
Agência Brasil, a retomada do diálogo com os entes federativos, das políticas
públicas sociais, como o Mais Médicos, de obras importantes e a reabertura das
portas dos ministérios do Governo Federal para os municípios estiveram entre os
principais pontos destacados pelos representantes do Poder Executivo, durante a
Marcha, ocorrida em Brasília (DF).
O evento foi organizado pela Confederação Nacional dos
Municípios (CNM) e reuniu quatro ministros da Área Social do governo para o
painel "Debate com Ministros". Os gestores elencaram os principais
programas de interesse dos prefeitos e se comprometeram com pautas importantes
para os municípios.
Educação
– Camilo Santana, ministro
da Educação, disse que o governo está retomando políticas importantes, como o
Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). Ele lembrou que o Pnae auxiliou
o Brasil a sair do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas (ONU), em
2014, e que não era reajustado há, pelo menos, cinco anos.
O titular da Educação, diz a Agência Brasil, também elencou
outros reajustes que serão anunciados no repasse de valores. É o caso do
programa de apoio ao transporte escolar, do Programa Dinheiro Direto na Escola
e das medições de obras pactuadas com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da
Educação (FNDE). "A determinação do presidente Lula é que nenhuma obra
mais seja paralisada por falta de pagamento do FNDE", enfatizou.
Camilo Santana ressaltou ainda que, nos municípios com
contratos encerrados, os projetos serão reativados, com o intuito de garantir
que todas as obras de creches e escolas sejam concluídas. "Queremos abrir
as portas do MEC para os municípios e os estados brasileiros, construir todas
as políticas a partir do diálogo e da parceria e fortalecer o regime de
colaboração entre os entes federados. É nos unirmos num processo de
reconstrução do nosso país e de valorização e reconhecimento da educação
pública, com equidade e qualidade para população brasileira", defendeu.
Pacto
federativo – O ministro das Cidades, Jader Filho, ressaltou, por
sua vez, a importância do diálogo e da recomposição do pacto federativo com os
entes federativos. O gestor colocou o ministério à disposição dos prefeitos e apresentou
a estrutura de cada uma das secretarias, realizando um diagnóstico da situação
encontrada pelo Governo Federal, nesta área, em janeiro de 2023. "O
Minha Casa, Minha Vida (MCMV) tinha 186,7 mil unidades habitacionais não
concluídas. São 186 mil famílias que não estão sendo atendidas. É prioridade
que a gente tire essas obras do status de paralisadas ou lentas", garantiu.
Segundo Jader Filho, das 82 mil construções de residências
que estavam completamente paradas, seis mil foram retomadas. Uma das
novidades para a Faixa 1 do MCMV, que é dedicada às famílias mais pobres, com
renda mensal de até R$ 2,6 mil, é a localização das unidades. "Não será
mais permitida a escolha de territórios distantes dos centros das cidades. Nós
queremos terrenos mais próximos", disse.
O ministro acrescentou, ainda, que, apesar de continuar
comprando terrenos, o Governo Federal dará prioridade aos municípios que
puderem doar algumas áreas para o programa. Isto, segundo ele, fará com que os
recursos sejam investidos em mais residências.
Ainda durante o evento, o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, também anunciou a liberação de R$ 400 milhões em repasse aos municípios. Segundo ele, os recursos serão utilizados na Busca Ativa do Cadastro Único (CadÚnico).